[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

Archive for the ‘[presentes]’ Category

[um leão na chuva]

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Talvez por um descuido meu, não observei seu corpo na prateleira onde guardo as lembranças e presenças que por aqui passam. Por um momento pensei que as peças que compõem minha coleção de suvenires fossem imóveis, movimentadas apenas pelas minhas vontades. Mas ao me ver dizendo besteiras para parecer mais ‘interessante’ aos seus olhos, percebi que meu deslize permitiu que voce pulasse da estante onde esteve desde segunda-feira passada e andasse na chuva a procura do caminho mais fácil pra me desconcertar.

Desgovernado por encontros vãos, recorri imediatamente ao espaço que você havia deixado. Propus lhe buscar na chuva, mas você veio por sua própria vontade e foi embora com suas prórprias pernas arriscando-se na chuva insistente que caía na manhã de domingo.

Ao despertar, tomei conta da sua fragilidade e propus lhe acompanhar pelas ruas encharcadas da forte chuva de verão que molhava a cidade. Naquele momento, queria bradar o seu nome, lhe propor algo bem mais arriscado. Mas a medida do que vivi, e talvez os riscos e prazeres do que penso ser hoje, travaram minha garganta no exato momento em que iria gritar o branco do seu nome. O que fiz apenas, em oposição ao vermelho do meu desgoverno, foi descer com o meu guarda-chuva e lhe buscar na porta do carro que dirigia. – Entre, eu disse. E você entrou.

Queria que você voltasse à prateleira, mas fiquei com receio de pedir pra você ladear com os outros brinquedos. Talvez você não recusasse a oferta ou eu o achasse diferente demais pra lá estar. Talvez você se ache pesado pra repousar nela, ou o espaço onde ficaria fosse pouco iluminado. O certo é que, independente do que ache, você não mais pertence à minha coleção e anda, com seu próprio automóvel, no cruzamento dos sonhos desinteressados.

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Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[11, fevereiro | 2008] at [2:39 am]

[dose tripla: The man I love]

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Para Sandy.

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The Man I Love

Composição: George Gershwin/Ira Gershwin

someday he’ll come along
the man i love
and he’ll be big and strong
the man i love
and when
he comes my way
i’ll do my best to make him stay
he’ll look at me and smile
i’ll understand
and in a little while
he’ll take my hand
and though it seems absurd
i know we both won’t say a word
maybe i shall meet him sunday
maybe monday
maybe not
still i’m sure to meet him one day
maybe tuesday
will be my good news day
he’ll build a little home
just meant for two
from which
i’d never roam
who would, would you?
and so all else above
i’m wating for the man i love

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[21, novembro | 2007] at [11:46 pm]

[161]

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Copiei de Gui e repasso.

1- procurar um livro próximo (o primeiro que aparecer, não vale procurar um livro);
2- abri-lo na página 161;
3- procurar a quinta frase completa;
4- postá-la no seu blog;
5- não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6- repassar a outros cinco blogs.

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“O nome que tem na sua frente, de um indivíduo do sexo feminino, é, em quase tudo, idêntico ao da mulher desconhecida, só no último apelido é que existe uma diferença, e, ainda assim, a primeira letra dele é a mesma” (Todos os nomes, José Saramago)

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[7, novembro | 2007] at [1:53 pm]

Publicado em [encontros], [presentes]

[impressões balzaquianas motivadas por um lisboeta inglês]

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Cenários e pessoas me marcam profundamente. Em 1998, fiz uma viagem com Roberto, meu primeiro companheiro, para o Nordeste. Carona, fui de carro de Cuiabá para Fortaleza (uma viagem que durou vinte deliciosos e agonizantes dias) acompanhá-lo num congresso do sindicato dos professores universitários. Durante a viagem, tinha certeza que ela seria definitiva num relacionamento intenso e significativo que bravamente durou quase seis anos.

Definitiva, a viagem para o Nordeste me marcou de diversas formas. Pela primeira vez vi os mares do nordeste e me lembro com carinho de lugares como Canoa Quebrada, Maragogi, Natal (o morro do Careca), Fortaleza, Recife, João Pessoa (o restaurante Mangaio), Salvador (e o elevador Lacerda), Juazeiro, Petrolina, dentre outras diversas cidades que visitamos. Ainda consigo me lembrar dos inúmeros personagens (desdentados e bebedores de Iogurte, era o governo de FHC) que encontramos nas esburacadas estradas da região.

Em 2007, outra viagem, assim como seus personagens, marcaria o fim de um relacionamento igualmente importante. Desta vez o local foi o Rio de Janeiro, cujo cenário em 2001 também marcou o fim de um relacionamento anterior. Motivado pela presença de um amigo (o autor de um e-mail que motivou este post), cujo futuro, anseio, nos reserve novos e especiais encontros, rompi com o Alberto; ao qual peço desculpas pela inevitável citação direta.

Confesso que relutei em realizá-la, pois sabia que significaria uma transformação significativa. Não deu outra. Ela foi o ponto final de um belo encontro ocorrido quatro anos antes, quando nas paragens campineiras resolvi aportar sem saber das inúmeras transformações que a região me proporcionaria.

Em Ipanema, assim como o foi em 2001, remoí meus sentimentos, desejos e vontades, em especial aquilo que não compreendia, mas que me angustiava e ansiava por mudar. Diferente do que ocorrera em 1998 e 2001, optei conscientemente por um fim anunciado. Foi, em se tratando de relacionamentos, a primeira vez que isso ocorreu.

Imerso em problemas, compromissos, acontecimentos e diversas outras transformações proporcionadas por um ano de “terra revolvida”, esse evento, aparentemente comum a outros olhos, ainda não havia se decantado. No entanto, obrigado a conviver apenas comigo desde terça-feira (data em que me mudei para um apartamento para morar sozinho) e motivado pelo e-mail de David, carinhosamente vindo de além mar, me vejo hoje pensativo sobre mim, os outros, meus atos e boa parte daquilo que construí, e igualmente desconstruí.

Religião, doutorado, jornalismo, namoros, ex-amigos, faculdade, alunos, cigarros, doces, ciências veterinárias, contas, (des)iniciação, amigos, e uma vontade louca de jogar tudo pro alto e ver em que lado da moeda eles caem. Se der cara, morrem. Se der coroa, continuam. É isso o que acontece quando se faz trinta anos? Ou estou, talvez reincidentemente, exagerando?

Sono. Muito sono e poucos sonhos. Eram tão comuns. Por que sumiram?

Respondo: Alice, o seu País das Maravilhas dos sonhos acordados já não existe mais. Agora é só o chapeleiro louco. Boa Sorte.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[22, outubro | 2007] at [2:19 am]

[sonhos poéticos]

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Sonhei que conversava pessoalmente com Elisa Lucinda. Quando acordei, lembrei de um poema dela que gosto muito chamado Safena.

SAFENA
(Elisa Lucinda)

Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[1, agosto | 2007] at [4:19 pm]

[texto, presente de Sandy, pela poesia de Leminski]

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moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[21, junho | 2007] at [1:54 pm]

Publicado em [presentes]