[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

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[o ‘ovirundu’ da Vanusa, dos ‘mano’ e dos que nunca ‘ovirum falá dele’, mas o conhecem bem na pele]

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A primeira versão do nosso Hino Nacional Brasileiro é da cantora Vanusa. Mesmo que a dela não seja muito diferente da de muitos brasileiros, é o mais novo alvo daqueles que acreditam que a defesa do ideal e da identidade da pátria se dá apenas pelo respeito a uma poesia extremamente positivista criada no início do século. Críticas à parte, isso não tira o brilho da versão vanusiana do nosso ‘ovirundu’.

Tudo bem que eu teria finalizado nos aplausos, batido cabelo e saído cambaleando pelos corredores do poder paulistano. Se bem que a ‘versão’ vanusística está bem a cara da mesa e teria sido melhor ela se sentar pra presidir a reunião. Reparem na cara deles! “(…) se em teu formoso, risonho e límpido… a imaaaaaaaaagem do cruzeiro”. E ela ainda ganhou dinheiro pra isso!

No fundo eu acho que todo o problema foi por culpa do ‘bemol’. Estava um pouco ‘desafinado’. Acho muito digno!

Agora essa versão do ‘virundu’ dos ‘manos’ é show. A tradução é perfeita. Que tal adotarmos nos ciclos básicos da educação infantil? Quem sabe assim falamos a mesma lígua deles.

Esta última é pra quem nunca entendeu o significado de “fúlgidos, plácido, penhor, fulguras, florão, garrida…”. Uma versão visual!

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Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[31, agosto | 2009] at [11:52 pm]

Publicado em [internet], [politica]

[Envolvimento e presença em “Dia de Festa” e “O velho”, de Toni Venturi]

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Em entrevista concedida após o lançamento do filme Dia de Festa (2006), Toni Venturi foi questionado sobre a possível relação existente entre seu filme e a “realidade” dos nordestinos mostrada por Glauber Rocha. Na ocasião, o diretor afirmou que Rocha trouxe o “Brasil do interior para a cidade” e que o seu documentário trouxe o “profundo do urbano para a própria cidade”[1]. A lógica está correta, apesar de discordarmos da afirmação do diretor sobre o papel de Rocha na transposição da “realidade” nordestina. Após assistir ao filme, dirigido em parceria com o arquiteto Pablo Georgieff (que realizava um trabalho de investigação de moradias alternativas para populações de baixa renda), essa afirmação nos possibilitou articular algumas considerações comparando este com o primeiro documentário do diretor (O Velho – 1997) especialmente no que se refere à sua ‘presença’.

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Dia de Festa é um filme que busca transformar; talvez ai sua lógica com a filmografia glauberiana. Entretanto, papel dos tempos, a realidade trazida por Venturi está muito mais próxima a uma ação interventiva direta que a diletante ação política praticada por Glauber. O filme de Venturi mostra o urbano. Mas, antes disso, ao se inserir no seu cotidiano, visa despertar o espectador para uma realidade no mínimo embaraçante.

Desde O Velho (1997), filme sobre o líder comunista Luiz Carlos Prestes, passando por No Olho do Furacão (2003), que reconta a trajetória dos militantes da luta armada brasileira, filmado em parceria com Renato Tapajós, até as ficções Latitude Zero (2001), sobre dois personagens socialmente excluídos que vivem entre a intolerância e a paixão, e Cabra Cega (2004), sobre dois jovens militantes que sonham com a revolução social no Brasil, os filmes de Venturini giram em torno de questões políticas. Dia de Festa é igualmente um filme político; marca até então fundamental das produções de Venturi. Entretanto, apesar de político, passa longe do panfletarismo.

O filme é o primeiro documentário do diretor cujo universo desloca-se para questões sociais mais imediatas. Diríamos que se trata de um filme e temática “quentes”, ressaltados pelo “calor da hora” das historias narradas, em comparação ao tema frio dos documentários anteriores. Ou, usando uma terminologia adota por Jean-Claude Bernardet[2], trata-se de um “filme forte”. E penso que essa característica no filme se dá pela marcante presença do documentarista ao longo do filme, reforçada por suas opções narrativas e pelo envolvimento com o tema. Envolvimento que também existe em O Velho, mas que aqui se caracteriza de outra forma.

Dia de Festa faz um retrato do Movimento dos Sem-teto do Centro – MSTC a partir de quatro de suas líderes: Silmara, 34, Ednalva, 33, Ivaneti, 30 e Janaína, 18. A opção por escolher mulheres talvez contenha em si uma opção conservadora ao associar o universo feminino ao conceito de lar, moradia, habitação. Mas elas são apenas o ponto a partir através do qual diversos outros personagens aparecem para o espectador, construindo não só uma excelente imagem de uma realidade invisível, como afirmando a postura do realizador perante aquilo que documentava. Sua “amostragem” contempla personagens com históricas similares (são todas migrantes, ex-trabalhadoras do campo, moradoras de favelas e cortiços da capital paulistana) e com uma motivação comum: a vontade de mudar sua situação e de suas famílias. Entretanto essas semelhanças não as tornam iguais. Há em suas histórias diversas particularidades. Essas mesmas particularidades aparecem quando são apresentados personagens paralelos que sustentam os centrais: a senhora idosa que mora num “mezanino”, o travesti, entre outros.

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O documentário acompanha sete “ocupações” do MSTC ocorridas em 2004. Ou, como trata no filme, as “festas”. O termo não é apenas a maneira como o movimento identifica o momento máximo de suas ações político-sociais. Ele é igualmente a forma como o cineasta vê essa realidade. Calcado em um conceito festivo, sinônimo de celebração de eventos sociais significativos (nascimento, casamento, promoção funcional, e, até mesmo, a compra de um carro novo), a palavra ganha outra conotação no documentário. “Festa” é o termo usado pelo movimento para se referir ao seu clímax: a ocupação de imóveis abandonados no centro da capital paulista.

Durante suas seqüências iniciais temos a impressão de que as quatro líderes do movimento, aliadas às inquietações cotidianas de sobrevivência, estão preocupadas unicamente com uma ‘confraternização’. Montandas em conjunto, elas recolhem dos seus ‘companheiros’ os donativos para a ‘festa’. O termo, usado abertamente no filme, passa a impressão de que se trata de uma simples confraternização entre os “invasores”, numa estrutura narrativa que aponta para uma atividade festiva ligada a uma esquerda igualmente inócua. Colada às posturas, palavras de ordem e discursos que indicam anos de tradição de uma esquerda caricatural socialmente conhecida, esse termo é a própria essência do filme. Trata-se do que ele tem de mais positivo pois ao mesmo tempo em que aceita a transgressão do conceito de festa, brinca com o termo de maneira a causar impacto em quem assiste.

A construção dos personagens em Dia de Festa é muito diferente do personagem ora reticente, ora espetacular de Luiz Carlos Prestes. A postura do cineasta diante daquilo que documenta não é diferente nesses dois diferente nesses filmes, ao menos naquilo que podemos retirar da evidência visual que se configurou em suas imagens. No entanto é o olhar contemplativo do cineasta em Prestes que faz esse filme diferente de Dia de Festa.

Como aponta Geraldo Sarno[3], um documentário documenta com veracidade a sua maneira de documentar. E essa “maneira” de documentar revela igualmente o envolvimento do cineasta com aquilo que documenta pois é a partir disso que se tornará evidente sua postura diante daquela realidade descortinada apenas para a sua lente. No caso de Venturi o envolvimento com as temáticas nesses dois filmes nos parece muito evidente. Essa postura é tamanha que a simples opção da escolha de personagens explicita aquilo que o diretor elegeu como o mais adequado a ser construído de seus objetos, ou no mínimo sua postura diante daquela temática. Pois tomemos como exemplo uma questão que, de secundária, ganha o tema central em O Velho: a ausência de Anita Leocádia.

velho

Ao menos para aqueles que conhecem a história de Luiz Carlos Prestes, a figura de Anita Leocádia, filha do político com Olga Benário, é singular para se contar tanto a trajetória do pai quanto da mãe. Sua ausência no filme causa um estranhamento significativo. Ela sequer ganha o espaço destinado à sua negação. É solenemente ignorada. Em que pese seu direito ao silêncio, o documentarista não poderia deixar de explicitá-lo. Sua ausência causa um desconforto tão forte que desconfiamos dos depoimentos anteriormente cedidos.

Mas para entender essa ausência é preciso retomar, ao menos em parte, a trajetória do diretor na realização do filme. Segundo suas declarações a idéia de realizar o filme surgiu quando o cineasta morava no Canadá. Ao retornar para o Brasil Venturi entrou em contato com Prestes, ainda vivo, mas o projeto do filme acabou sendo postergado. Desse contato acabou nascendo uma relação que, dentro do filme, fica bastante evidente. Venturi é apaixonado pela figura de Prestes, mas não consegue estabelecer um posicionamento sobre o personagem que retrata. Chegamos mesmo a questionar qual é o verdadeiro perfil que o cineasta quis passar de Prestes, fato que sequer de longe chegamos a desconfiar em Dia de Festa.

A temática de Dia de Festa, como afirmamos, certamente contribuiu para torná-lo mais evidente. Entretanto, arriscamos pensar que a contemplação da figura do líder político, nascido de uma relação de amizade singular entre objeto de cineasta, sublimou o olhar de Venturi. Ou, além, o compromisso com uma historiografia do líder político sublimou sua visão pessoal sobre o personagem retratado. Resguardadas as devidas proporções, as personagens de Dia de Festa são assimetricamente opostas ao personagem inconstante construído por Venturi em O Velho.

Aqui outra afirmação do diretor nos permitiu compreender a diferença que percebemos entre os dois filmes. Venturi afirma que chegou a se envolver emocionalmente com as personagens retratadas em Dia de Festa, referindo-se a elas como “heroínas” e não simplesmente como líderes de um movimento. Óbvio pela própria narrativa, essa observação reafirma o nosso olhar sobre o posicionamento de Venturi diante dos seus personagens nos dois filmes apresentados.

Mas a questão não se resume na temática, diferenciada por natureza, mas essencialmente na postura do documentarista. Certamente o envolvimento com ações presentes e a proximidade dos mesmos com nossa realidade (de moradores das grandes cidades que, volta e meia, vêem imóveis depredados e abandonados nos centros urbanos) fazem o tema desse filme mais forte que o anterior. Mas, penso que não é o suficiente para caracterizar sua diferença. São dois excelente documentários, mas é impossível não perceber que a postura do documentarista no primeiro sublimou aspectos significativos que foram negados ao espectador.


[1] Bate-papo UOL, 25/04/2006, às 15h00. Disponível em: (http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/frames.jhtm?url=http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/).

[2] BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e Imagens do Povo. São Paulo: Brasiliense, 1985. Consultei também a edição de 2003.

[3] SARNO, Geraldo. “Quatro Notas e um Depoimento”. In.: Cinemais, número 25, setembro/outubro de 2000.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[21, agosto | 2009] at [6:43 pm]

[conto de fadas do Prefeito Pateta, Gilberto Kassab]

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História de hoje: Angustiado com a reeleição

Era uma vez um Prefeito Pateta chamado Gilberto Kassab (ou seria Pateta Prefeito?) que assumiu o poder pela vacância do cargo. Esse Prefeito tinha idéias muito particulares (pra não dizer estranhas) para a cidade cidade que passou a governar, São Paulo. Ao molde da Rainha de Copas, que gostava de ver rosas vermelhas no seu jardim, o Prefeito Pateta queria que sua cidade fosse a mais bela entre as cidades daquele lindo reino.

No entanto, ao invés de adotar medidas significativas para a melhoria da vida das pessoas da sua cidade (como ampliar os corredores urbanos de ônibus, expandir as linhas de metrô e trem, converter trilhos da CPTM em metrô, criar novos pontos de integração entre os transportes públicos, entre outras medidas mais populares), ele preferia adotar estratégias bem impopulares como restringir o trânsito de veículos de cargas no centro expandido de São Paulo, impedir a circulação de motos nas marginais dos rios Pinheiros e Tietê (isso sem contar o fato de ter xingado um trabalhador de ‘vagabundo’ durante a inauguração de um centro medico na periferia da capital). Essas medidas, por mais significativas que fossem a intenções do Prefeito Pateta, foram tornando sua administração muito impopular ao ponto de ser uma das mais altas impopularidades de todas as cidades daquele Reino.

Com a aproximação das eleições municipais daquele reino o Prefeito Pateta Gilberto Kassab, filiado ao Democratas (arremedo que juntou dissidentes do antigo PFL, que por sua vez era o arremedo que juntou dissidentes do antigo Arena, que por sua vez era… desde Pedro Álvares Cabral), vivia angustiado com o fato de não ser tão querido pela população da sua cidade. Ficava se questionando sobre o que ‘havia feito de errado’, e chorava pelos cantos do seu castelo. Queria muito uma nova oportunidade para mostrar que não era tão mal assim e que os projetos eram na verdade culpa de outras pessoas que sempre cometiam ‘falhas operacionais’.

Assim, acreditando numa possível reeleição (só ele e a Alice do País da Maravilhas poderiam ter a capacidade de pensar assim), o Prefeito Pateta retira um artigo do projeto que instituiria a Política Municipal de Mudança Climática. Esse artigo autorizava a criação de pedágios urbanos para veículos automotores, como ocorre numa cidade de um reino bem distante, Londres. Claro, como bom guardião da sua cidade, ele percebeu que o projeto estava errado (e a culpa, claro, não era sua) devido a uma “falha operacional da prefeitura”. Magnânimo como só ele poderia ser, ele retirou o artigo e encaminhou o “bom” projeto para ser aprovado pelos vereadores da cidade que governa com tanto amor.

Resta saber se essa medida afetará os corações dos moradores da sua cidade, e fará com que eles reelejam para mais quatro anos o bondoso Prefeito Pateta.

Para mais informações sobre este conto, acesse o site de um Jornal que circula na cidade governada pelo Prefeito Pateta.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[15, agosto | 2008] at [12:30 pm]

[faixas, pros amigos, isso pode]

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Tudo bem que babacas no poder não escolhem partidos para aprontar das suas. Mas alguns se superam. A última, seguindo uma trajetória bem comum, veio de Gilberto Kassab, prefeito da cidade de São Paulo e membro de um partido que já nasceu carregado de pérolas, o ‘tal’ do DEM, dissidência do PFL de Toninho Malvedeza.

A lei “Cidade Limpa”, criada pelo próprio Kassab (o mesmo que quer proibir o trânsito de motocicletas nas marginais Pinheiros e Tietê e chamou de ‘vagabundo’ um morador da capital que protestava contra a referida lei), tinha por objetivo combater a poluição visual na capital. No entanto, o que a lei não previa era que ela não poderia valer para amigos, especialmente em ano de corrida eleitoral. Mas para casos como esse o que vale, aos olhos do prefeito, é a camaradagem, aliada, penso, ao seu indescritível cinismo.

A FSP (11/02) trouxe reportagem em que aponta o descumprimento, pelo próprio Kassab, da lei “Cidade Limpa” em beneficio um aliado político na Câmara de Vereadores. Intitulada (Kassab atropela lei e libera faixa de aliado), a reportagem traz a denúncia, aliada a declarações do próprio prefeito, em que fica claro o jeito Kassab de governar.

Faixa no bairro Capela do Socorro, Zona Sul de São Paulo.
(Fonte: FSP, 11/02/08)

Se não gosto de Kassab? Claro que não! Mas também ele me dá motivos. O que posso fazer?

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[11, fevereiro | 2008] at [8:34 am]

Publicado em [observações], [politica]

[moto-taxi? ‘isso não pode’]

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A resolução dos problemas de trânsito em São Paulo tem caminhos bastante estranhos. Mas quando o assunto são as Marginais (as grandes artérias do trânsito paulistano) as propostas são ainda mais extravagantes.

No ano retrasado a administração municipal havia proposto a criação de faixas adicionais PEDAGIADAS para diminuir possíveis engarrafamentos (como se fosse possível neste caso). Segundo o projeto, novas faixas seriam criadas nos recuos da cabeceira dos rios (e há?). Mas em alguns pontos da marginal a construção de faixas acabaria por estreitar ainda mais as concorridas faixas já existentes. Por sorte o projeto caiu no ostracismo em não mais se fala no assunto.

Agora o não menos extravagante prefeito Gilberto Kassab (DEM) propôs um projeto no mínimo de difícil execução. Ele vai proibir, a partir de 11 de fevereiro, o tráfego de motocicletas nas marginais Pinheiros e Tietê. A medida vem causando muita revolta por parte dos motociclistas que já realizaram uma manifestação na semana passada bloqueando o tráfego nas marginais. Eles protestaram contra o aumento do seguro obrigatório e o projeto de lei que proíbe a carona.

Segundo a administração o projeto do carona visa aumentar a segurança no trânsito devido a alta incidência de assaltos com a utilização de motocicletas. Medidas muito pontuais para um problema que extrapola questões de trânsito e segurança.

Será que é o fim dos moto-taxis na capital paulistana? Porque, convenhamos, por mais bem pintado, esse não é um projeto de melhoria de trânsito, muito menos de segurança.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[17, janeiro | 2008] at [12:45 pm]

[pataquada política]

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“Estou lendo alguma coisa que chega às minhas mãos. A imprensa, por exemplo, está escrevendo muita coisa técnica. Todos os dias saem até informações boas”. (…) “Estou me informando sobre energia elétrica, sobre hidrelétrica, sobre gás, sobre petróleo.” (FSP, 12/01/08)

Patética? Imagina. A declaração do senador Edson Lobão (ex ARENA, PDS, PFL, DEM, atual PMDB, trajetória política fabulosa) é só uma mostra do quanto os critérios para os cargos ministeriais no Brasil não utilizam nenhum critério, minimamente, técnico.

“(…) lendo alguma coisa que chega” às suas mãos. Me economize!

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[12, janeiro | 2008] at [9:14 pm]

Publicado em [observações], [politica]