[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

Archive for the ‘[jornalismo]’ Category

[cerejinho…]

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Quanta saudade de você, meu pestinha…


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Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[11, agosto | 2009] at [6:46 pm]

[ser ou não ser jornalista?]

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Reproduzo abaixo um texto recebido do JORNALISTA Onofre Ribeiro, de Mato Grosso, sobre a decisão do STF da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Na semana passada o ministro Gilmar Mendes comparou o preparo para o exercício de jornalista ao de um chefe de cozinha. Metáforas à parte, mesmo que em se tratando de coisas que não são as mesmas coisas, e nem parecidas, a discussão merece análises. A argumentação usada para derrubar a exigência do diploma para o exercício do jornalismo foi de que ela surgiu em 1969 durante o regime militar para facilitar e controlar o exercício da atividade dos jornalistas.

É uma meia verdade. Verdade é que em 1967 surgiu uma lei de imprensa muito rigorosa com o fim de intimidar a imprensa, que na época era restrita a uma televisão nascente, a jornais com pouca circulação e restritos às grandes cidades, a algumas revistas. Na época o rádio era o grande veículo de penetração em todo o país, mas com baixo tom crítico. Dizer que a regulamentação da profissão se deu para controle dos profissionais não é verdade. O fato é que, por exemplo, em 1967 nascia a revista “Veja”, firmava-se a TV Globo, existiam a TV Tupi e outras de menor expressão, uma ou outra fora do eixo Rio-São Paulo. Mas o fato é que surgia naquele instante uma imprensa mais moderna, mais dinâmica com esses veículos citados, e com a reforma de jornais tradicionais como o “Jornal do Brasil”, no Rio de Janeiro, o centen rio “O Estado de São Paulo” e o “Zero Hora”, no Rio Grande do Sul.

A regulamentação veio no momento em que a imprensa se modernizava e se ampliava para uma sociedade brasileira urbana, no lugar da velha sociedade rural que morria no fim dos anos 60. O mercado pedia uma imprensa sintonizada com as novas transformações econômicas, sociais e, obviamente, políticas. A censura era aplicada aos veículos de comunicação e não aos jornalistas individual ou coletivamente. Eram punidos pela lei de imprensa aqueles que infringiam os duros artigos dela. No mais, a perseguição política por parte do regime estava voltada à militância política individual dos jornalistas, mas não sobre o conjunto dos jornalistas. É bem verdade que o regime militar não gostava da imprensa e nem de jornalistas. O preconceito era grande e aberto. Convivi de perto com o rótulo de que “os jornalistas são da esquerda”, “são comunista s” e “não são confiáveis”. Os jornalistas anteriores a 1969 foram equiparados aos graduados em faculdade de jornalismo. Mais tarde o provisionamento foi estendido mais de uma vez àqueles que não puderam se legalizar nas chances anteriores. Muitos ainda estão no mercado exercendo o jornalismo com competência e com dignidade.

Agora voltamos à questão do diploma cassado como norma para o exercício profissional. O mundo mudou e o poder da imprensa multiplicou-se por mil, além de que os quatro tipos de veículos (rádio, TV, jornal e revista) hoje vão muito além de 20, com a ramificação possível graças à internet e às tecnologias aplicadas na mídia convencional. A comunicação tornou-se uma ciência complexa e participante em todos os momentos de todas as atividades coletivas e individuais da humanidade. Imagino que isso só já bastaria para justificar a compreensão científica dos processos de comunicação social como atividade social, econômica, política e humana.

A construção de uma imprensa profissionalmente laica baseada nas diversidades “jornalísticas” de pessoas da sociedade, vai levar tempo e não se sabe que tipo de comunicação vai produzir. Pode se perguntar, por exemplo: o que vai acontecer com o formato das televisões, do rádio, dos jornais, das revistas, etc? Alguém, certamente, dirá que vai melhorar. Pode ser. Mas então, que se mude os argumentos de que um jornalista é igual a um chefe de cozinha. Cada um faz pratos muito diversos e diferentes. Poderá ser ótimo para as empresas lidarem sem gastos salariais com profissionais aleatoriamente. Mas e o conteúdo da informação geral, genérica, global e abrangente?Será feito por médicos, por advogados, por economistas, por dentistas, por professores e, quem sabe, por chefes de cozinha?

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[25, junho | 2009] at [8:54 am]

[foco editorial]

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Recebi por e-mail, de Santiago, e achei muito interessante. É isso que eu chamo de ‘foco editorial’. Perfeito!!!

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CHAPEUZINHO VERMELHO E AS DIFERENTES MANEIRAS DE CONTAR A MESMA HISTÓRIA…

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): ‘Boa noite! Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem…’.
(Fátima Bernardes): ‘… mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia’.

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe): ‘… Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar,mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, nãofoi mesmo?’

CIDADE ALERTA
(Datena): ‘… Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!’

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AQUI E AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó.

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte).
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida.
Hoje sou outra pessoa.’

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte).
Veja o que só o lobo viu!

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador). Lenhador mostra o machado.

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[19, agosto | 2008] at [9:38 am]

Publicado em [internet], [jornalismo]

[trabalhos de alunos]

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Abaixo, link para produções dos meus alunos de RTV nas disciplinas de Criação e Produção em Rádio e Oficina de Expressão em Imagem e Som I.

Papo Profissional – RTV
Papo Profissional – Arquitetura e Urbanismo
Família C. da Silva

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[24, junho | 2008] at [3:54 am]

[esses portugas]

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Depois quando fazem piadas, eles acham ruim.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[26, maio | 2008] at [3:33 pm]

[Kassab, novamente. Claro, ele pede!!!]

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Todos sabe o quanto eu não sou simpático ao prefeito Kassab. Menos ainda aprovo boa parte das sua medidas administrativas, apesar de ter adorado o projeto que diminuiu a poluição visual gerado pela publicidade na capital. No entanto, como não poderia deixar de ser, ele apronta mais uma.

Já que na tentativa anterior de melhorar o trânsito da capital com medidas paliativas ele não conseguiu acabar de vez com os motoboys, desta vez seu foco foram os caminhões que circulam pela cidade. Agora, quem quiser mudar de seu apartamento ou casa durante a semana deverá adiar seus projetos para o final de semana. A julgar pela medida que deve entrar em vigor em 45 dias, caminhões de mudança, carros fortes e coletores de lixo estão proibidos de circular entre as 5 e 21 horas na chamada zona de exclusão que foi ampliada de 25 para 100 km2. A regra também vale para os caminhões de gás, afinal, como aponta o próprio prefeito, boa parte da cidade já é abastecida pelo “caro” serviço de gás encanado e sua medida não afetará o paulistano.

No entanto, a medida do prefeito, sempre preocupado com o bom andamento da cidade, admite algumas exceções. Estão liberados os caminhões de lixo que fazem a limpeza de feiras livres e betoneiras que carregam toneladas de concretos que construirão grandes e luxuosos condomínios de apartamentos nos bairros centrais da cidade, cheios de novos e luxuosos carros que entupirão cada vez mais as ruas já tão pouco congestionadas da capital paulistana.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[4, abril | 2008] at [2:11 pm]

Publicado em [jornalismo], [lugares]

[prisma, um carro heterossexal]

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Este texto é uma análise de propaganda utilizada como exercício da disciplina de Produção Publicitária em RTVC IV que ministro.

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Prisma, um carro heterossexual   

A propaganda do novo carro da Chevrolet tem destino certo: homens. Mais especificamente, jovens executivos heteros, brancos, moradores de grandes cidades, que têm entre trinta e trinta e cinco anos. Mas qual o motivo de tanta precisão?

Prisma, carro da Chevrolet

Publicitariamente, a melhor maneira de se atingir um público-alvo é desenvolver produtos específicos para serem consumidos por eles. Determinante comum em qualquer peça publicitária o público consumidor tem papel preponderante na forma como o produto deve ser desenvolvido. Busca-se atender suas expectativas e, em muitos casos, se antecipar a elas criando novos hábitos de consumo.

(Clip Ampliado)

O slogan da campanha de Prisma é “sua vida te trouxe até aqui”. No site a propaganda, montada como um show ao estilo das cantatas de final de ano, apresenta personagens que supostamente são comuns ao potencial consumidor do novo veículo. Equilibrando-se em uma única perna, um Saci abre a peça. Apesar de caracterizado como o personagem das histórias ficcionais, há nele um componente que o retira dessa condição: ele é um tocador de trompete. É a partir desse modelo “tupiniquim norte-americanizado” que personagens fantásticos e reais vão surgindo na propaganda. A idéia é construir uma história de tal modo que as ordinárias ações quotidianas pelo qual passou o potencial consumidor do Prisma foram, nada além, de uma construção necessária para que, hoje, ele possa consumir o carro da Chevrolet. Trata-se quase de uma conspiração astral que o levou fatalmente a ser o mais “capacitado” humano para consumir um produto tão “arrojado” e “moderno”. Entretanto a propaganda apresenta camadas de leitura que vão além.

O homem pintado pela propaganda é hetero. Trata-se de um ser cuja identidade é fruto de uma construção social que o torna capacitado para assumir postos hierárquicos importantes. Faltava-lhe apenas o último instrumento que pudesse “conduzir” ao lugar que lhe foi reservado. Algo que lhe garantisse “conforto”, “segurança”, “versatilidade” (afinal a propaganda é de carro, não de seguro) e que fosse uma ferramenta adequada à sua nova vida: um carro.

(clip TV)

A propaganda é calcada na noção de progresso. E, coerentemente, o novo carro vem para conduzir o consumidor homem para uma nova etapa de sua vida. Prisma não é um carro feito para mulheres. Elas são apenas caminhos pelos quais o “homem-hetero-consumidor” da propaganda passou para chegar ao seu estado atual. E na propaganda esse predicado é estendido a todos os personagens envolvidos na sua trajetória. Significa dizer que o universo de onde esse homem surge não é um universo pequeno dado a magnitude dos personagens envolvidos para contar a “história da sua vida”. Desde o médico que o ‘trouxe ao mundo’, passando pela primeira professora, a empregada que lhe ensinou sexo, as coelhinhas da Playboy, a primeira namorada e chefe, os personagens ficcionais como Scooby, Jaspion, Fofão, passando pelos colegas de faculdade, até sua noiva, completamente alienada e apaixonada, todos estavam à sua disposição para que, hoje, ele fosse o que é.  

Simbolicamente há uma clara divisão social entre esses personagens. Todos passam pelo suposto consumidor e estacionam sua vida enquanto ele ‘evolui’. Entretanto, essa evolução não significa um crescimento voluntário determinado apenas pela sua vontade. Ele é involuntário e socialmente determinado. O homem que a propaganda busca atingir é um homem que está se tornando pai de família, mas que não pode ainda perder o status jovial de homem aguerrido e sonhador. Trata-se de um recurso para o qual apela a propaganda para atingir um público que ainda não é um “alto executivo”, mas que se sente pressionado a assumir diversas outras responsabilidades (como o casamento, por exemplo), para pertencer ao grupo dos “escolhidos”. Um caminho óbvio, mas que aceita um atalho (quase um auxílio): um veículo “potente” que reforce a idéia de ascendência. Não há inclusive, em nenhum dos personagens da propaganda, algum que pudesse contrariar essa determinação. A mãe, que supostamente poderia ser um personagem ‘crítico’ em relação à história narrada (afinal é mãe), é negligenciada. O homem-consumidor surge pela mão do médico. É ele, após o personagem fantástico de Monteiro Lobato, quem faz sua introdução.

Staypuft dos Caça-fantasmas

Mas retornemos à propaganda. Para a construção do pressuposto homem-hetero que afirmei presente nela foi necessário recorrer a personagens que compunham o seu universo nos anos de 1980 e 1990. Sabe-se que nesse período um forte movimento de construção de identidades despontava nos subúrbios de Nova York, puxado principalmente por grupos minoritários como negros, latinos, rappers e homossexuais. Esse processo, facilitado pela possibilidade de utilização de meios de produção audiovisual, imprimiu nesses grupos a necessidade de construção de ícones próprios ou que remetessem ao seu quotidiano. Havia neles um duplo caminho de construção de identidades através da revelação de cantores, atores e artistas do quotidiano e de apropriação de símbolos, gestos e ações de artistas que despontavam na cena cultural norte-americana. Desses, Madona e Michael Jackson, apesar de distantes ideologicamente, foram os mais significativos.

Nesse percurso de símbolos e imagens, uma questão pendente é: porquê essas influências não estão presentes na propaganda de Prisma? A resposta é porque hoje essas representações da cultura norte-americana acabam esbarrando em algum conceito ligado à homossexualidade. Eles saíram do status meramente localizado do período e se consolidaram como influência decisiva para grupos minoritários como os gays, lésbicas e rappers. Estão ligados a um conceito de contravenção, de questionamento da ordem. E, certamente, essa não seria uma “boa” lembrança para o potencial consumidor do novo produto da Chevrolet.

No Brasil, para boa parte dos adolescentes que viveram entre essas décadas, e que assistiam regularmente a programação da TV aberta, personagens como Changeman, Zorro e Fofão não são ilustres desconhecidos. Independente do poder aquisitivo das famílias brasileiras, seres fictícios como Stay Puft (Caça Fantasmas), Scooby-Doo, entre outros, povoavam o imaginário das crianças que hoje teriam entre 30 e 35 anos de idade. Nessa mescla de personagens importados e nacionais, seria natural supor que uma propaganda voltada para esse público recorresse a eles como forma de resgatar as influências presentes em seu imaginário. Como o “Primeiro grande carro” de uma geração que conseguiu sobreviver à “devassidão” causada pela década de 1980 e 1990, associá-lo a ícones gays seria macular a sexualidade de um excelente consumidor. É menos traumático se lembrar da transa com a empregada. Afinal, ela é apenas mais uma nordestina.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[26, março | 2008] at [11:14 am]