[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

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[Envolvimento e presença em “Dia de Festa” e “O velho”, de Toni Venturi]

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Em entrevista concedida após o lançamento do filme Dia de Festa (2006), Toni Venturi foi questionado sobre a possível relação existente entre seu filme e a “realidade” dos nordestinos mostrada por Glauber Rocha. Na ocasião, o diretor afirmou que Rocha trouxe o “Brasil do interior para a cidade” e que o seu documentário trouxe o “profundo do urbano para a própria cidade”[1]. A lógica está correta, apesar de discordarmos da afirmação do diretor sobre o papel de Rocha na transposição da “realidade” nordestina. Após assistir ao filme, dirigido em parceria com o arquiteto Pablo Georgieff (que realizava um trabalho de investigação de moradias alternativas para populações de baixa renda), essa afirmação nos possibilitou articular algumas considerações comparando este com o primeiro documentário do diretor (O Velho – 1997) especialmente no que se refere à sua ‘presença’.

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Dia de Festa é um filme que busca transformar; talvez ai sua lógica com a filmografia glauberiana. Entretanto, papel dos tempos, a realidade trazida por Venturi está muito mais próxima a uma ação interventiva direta que a diletante ação política praticada por Glauber. O filme de Venturi mostra o urbano. Mas, antes disso, ao se inserir no seu cotidiano, visa despertar o espectador para uma realidade no mínimo embaraçante.

Desde O Velho (1997), filme sobre o líder comunista Luiz Carlos Prestes, passando por No Olho do Furacão (2003), que reconta a trajetória dos militantes da luta armada brasileira, filmado em parceria com Renato Tapajós, até as ficções Latitude Zero (2001), sobre dois personagens socialmente excluídos que vivem entre a intolerância e a paixão, e Cabra Cega (2004), sobre dois jovens militantes que sonham com a revolução social no Brasil, os filmes de Venturini giram em torno de questões políticas. Dia de Festa é igualmente um filme político; marca até então fundamental das produções de Venturi. Entretanto, apesar de político, passa longe do panfletarismo.

O filme é o primeiro documentário do diretor cujo universo desloca-se para questões sociais mais imediatas. Diríamos que se trata de um filme e temática “quentes”, ressaltados pelo “calor da hora” das historias narradas, em comparação ao tema frio dos documentários anteriores. Ou, usando uma terminologia adota por Jean-Claude Bernardet[2], trata-se de um “filme forte”. E penso que essa característica no filme se dá pela marcante presença do documentarista ao longo do filme, reforçada por suas opções narrativas e pelo envolvimento com o tema. Envolvimento que também existe em O Velho, mas que aqui se caracteriza de outra forma.

Dia de Festa faz um retrato do Movimento dos Sem-teto do Centro – MSTC a partir de quatro de suas líderes: Silmara, 34, Ednalva, 33, Ivaneti, 30 e Janaína, 18. A opção por escolher mulheres talvez contenha em si uma opção conservadora ao associar o universo feminino ao conceito de lar, moradia, habitação. Mas elas são apenas o ponto a partir através do qual diversos outros personagens aparecem para o espectador, construindo não só uma excelente imagem de uma realidade invisível, como afirmando a postura do realizador perante aquilo que documentava. Sua “amostragem” contempla personagens com históricas similares (são todas migrantes, ex-trabalhadoras do campo, moradoras de favelas e cortiços da capital paulistana) e com uma motivação comum: a vontade de mudar sua situação e de suas famílias. Entretanto essas semelhanças não as tornam iguais. Há em suas histórias diversas particularidades. Essas mesmas particularidades aparecem quando são apresentados personagens paralelos que sustentam os centrais: a senhora idosa que mora num “mezanino”, o travesti, entre outros.

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O documentário acompanha sete “ocupações” do MSTC ocorridas em 2004. Ou, como trata no filme, as “festas”. O termo não é apenas a maneira como o movimento identifica o momento máximo de suas ações político-sociais. Ele é igualmente a forma como o cineasta vê essa realidade. Calcado em um conceito festivo, sinônimo de celebração de eventos sociais significativos (nascimento, casamento, promoção funcional, e, até mesmo, a compra de um carro novo), a palavra ganha outra conotação no documentário. “Festa” é o termo usado pelo movimento para se referir ao seu clímax: a ocupação de imóveis abandonados no centro da capital paulista.

Durante suas seqüências iniciais temos a impressão de que as quatro líderes do movimento, aliadas às inquietações cotidianas de sobrevivência, estão preocupadas unicamente com uma ‘confraternização’. Montandas em conjunto, elas recolhem dos seus ‘companheiros’ os donativos para a ‘festa’. O termo, usado abertamente no filme, passa a impressão de que se trata de uma simples confraternização entre os “invasores”, numa estrutura narrativa que aponta para uma atividade festiva ligada a uma esquerda igualmente inócua. Colada às posturas, palavras de ordem e discursos que indicam anos de tradição de uma esquerda caricatural socialmente conhecida, esse termo é a própria essência do filme. Trata-se do que ele tem de mais positivo pois ao mesmo tempo em que aceita a transgressão do conceito de festa, brinca com o termo de maneira a causar impacto em quem assiste.

A construção dos personagens em Dia de Festa é muito diferente do personagem ora reticente, ora espetacular de Luiz Carlos Prestes. A postura do cineasta diante daquilo que documenta não é diferente nesses dois diferente nesses filmes, ao menos naquilo que podemos retirar da evidência visual que se configurou em suas imagens. No entanto é o olhar contemplativo do cineasta em Prestes que faz esse filme diferente de Dia de Festa.

Como aponta Geraldo Sarno[3], um documentário documenta com veracidade a sua maneira de documentar. E essa “maneira” de documentar revela igualmente o envolvimento do cineasta com aquilo que documenta pois é a partir disso que se tornará evidente sua postura diante daquela realidade descortinada apenas para a sua lente. No caso de Venturi o envolvimento com as temáticas nesses dois filmes nos parece muito evidente. Essa postura é tamanha que a simples opção da escolha de personagens explicita aquilo que o diretor elegeu como o mais adequado a ser construído de seus objetos, ou no mínimo sua postura diante daquela temática. Pois tomemos como exemplo uma questão que, de secundária, ganha o tema central em O Velho: a ausência de Anita Leocádia.

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Ao menos para aqueles que conhecem a história de Luiz Carlos Prestes, a figura de Anita Leocádia, filha do político com Olga Benário, é singular para se contar tanto a trajetória do pai quanto da mãe. Sua ausência no filme causa um estranhamento significativo. Ela sequer ganha o espaço destinado à sua negação. É solenemente ignorada. Em que pese seu direito ao silêncio, o documentarista não poderia deixar de explicitá-lo. Sua ausência causa um desconforto tão forte que desconfiamos dos depoimentos anteriormente cedidos.

Mas para entender essa ausência é preciso retomar, ao menos em parte, a trajetória do diretor na realização do filme. Segundo suas declarações a idéia de realizar o filme surgiu quando o cineasta morava no Canadá. Ao retornar para o Brasil Venturi entrou em contato com Prestes, ainda vivo, mas o projeto do filme acabou sendo postergado. Desse contato acabou nascendo uma relação que, dentro do filme, fica bastante evidente. Venturi é apaixonado pela figura de Prestes, mas não consegue estabelecer um posicionamento sobre o personagem que retrata. Chegamos mesmo a questionar qual é o verdadeiro perfil que o cineasta quis passar de Prestes, fato que sequer de longe chegamos a desconfiar em Dia de Festa.

A temática de Dia de Festa, como afirmamos, certamente contribuiu para torná-lo mais evidente. Entretanto, arriscamos pensar que a contemplação da figura do líder político, nascido de uma relação de amizade singular entre objeto de cineasta, sublimou o olhar de Venturi. Ou, além, o compromisso com uma historiografia do líder político sublimou sua visão pessoal sobre o personagem retratado. Resguardadas as devidas proporções, as personagens de Dia de Festa são assimetricamente opostas ao personagem inconstante construído por Venturi em O Velho.

Aqui outra afirmação do diretor nos permitiu compreender a diferença que percebemos entre os dois filmes. Venturi afirma que chegou a se envolver emocionalmente com as personagens retratadas em Dia de Festa, referindo-se a elas como “heroínas” e não simplesmente como líderes de um movimento. Óbvio pela própria narrativa, essa observação reafirma o nosso olhar sobre o posicionamento de Venturi diante dos seus personagens nos dois filmes apresentados.

Mas a questão não se resume na temática, diferenciada por natureza, mas essencialmente na postura do documentarista. Certamente o envolvimento com ações presentes e a proximidade dos mesmos com nossa realidade (de moradores das grandes cidades que, volta e meia, vêem imóveis depredados e abandonados nos centros urbanos) fazem o tema desse filme mais forte que o anterior. Mas, penso que não é o suficiente para caracterizar sua diferença. São dois excelente documentários, mas é impossível não perceber que a postura do documentarista no primeiro sublimou aspectos significativos que foram negados ao espectador.


[1] Bate-papo UOL, 25/04/2006, às 15h00. Disponível em: (http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/frames.jhtm?url=http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/).

[2] BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e Imagens do Povo. São Paulo: Brasiliense, 1985. Consultei também a edição de 2003.

[3] SARNO, Geraldo. “Quatro Notas e um Depoimento”. In.: Cinemais, número 25, setembro/outubro de 2000.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[21, agosto | 2009] at [6:43 pm]

[coutinho, salles e os ‘críticos de arte’]

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“Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, foi escolhido como o melhor filme brasileiro de 2007 pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O filme é bom, mas não é pra tanto.

Será que é difícil aceitar o fato de que ele é bom somente porque é de Coutinho? Por favor. Na minha opinião entre ele e “Santiago”, não tenho dúvidas quanto ao último.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[12, dezembro | 2007] at [5:38 pm]

Publicado em [cinema], [documentário]

[Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho]

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“Eis a fórmula. Ta, mas e daí?”.

Foi com essa impressão que saí do último filme de Eduardo Coutinho, Jogo de Cena, que entrou em Cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Trata-se de um belo filme, porém pouco cativante.

Segundo Carlos Alberto Mattos, ao fazer um “elogio da atuação dramática”, o filme volta-se para a desmistificação da diferença entre documentário e ficção. “Documentário é aquilo em que decidimos acredita”, afirma. O certo é que existe sempre um personagem que interpreta o seu papel, ficcional ou não, diante das câmeras. Coutinho, em seu estilo particular, sabe capturar esses personagens.

Em entrevista ao jornalista Cunha Jr do programa Metrópolis, Coutinho afirmou que o “ato de filmar é que é verdadeiro”. Trata-se de uma fórmula recorrente em seu trabalho. A diferença nesse filme talvez esteja no uso de atrizes profissionais e amadoras que acabam por confundir o espectador em alguns momentos. No entanto, para quem já conhece a fórmula, esses personagens não cativam. Da metade do filme em diante não esperamos grandes surpresas; exceto, talvez, pela interpretação canastra de Marília Pêra e a mistura dos seus “personagens” feita por Fernanda Torres.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[29, outubro | 2007] at [11:28 am]

Publicado em [cinema], [documentário]

[o inimigo nosso de cada dia e os United’s de Paul Greengras e Peter Markle]

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Quase seis anos depois, as marcas deixadas pelos ataques ao Pentágono e ao World Trade Center, ainda estão presentes em nossa sociedade. Sejam através de medidas de contenção do que se considera “terrorismo” (em ações que beiram a histeria), ou através das reações políticas de diversos países ao evento, o certo é que o dia 11 de Setembro de 2001 marca a passagem para uma nova era, cujos frutos dificilmente podem ser previstos.

Como todo evento de grande importância histórica, seu relato é contado tanto pela ótica dos vencidos quanto dos vencedores. E no cinema isso não poderia ser diferente. Em filmes sobre eventos dessa natureza, é natural que algum grau de patriotismo (bairrismo, xenofobismo ou outro ‘ismo’ qualquer) possa ser transplantado para a narrativa fílmica.

Como já afirmei anteriormente, As Torres Gêmeas (World Trade Center), dirigido por Oliver Stone (Platoon, 1986; Nascido em4 de Julho, 1989; Alexandre, 2004), é um excelente relato dos fatos. Seu pecado no entanto, está na “licença poética” do diretor que chega a mostrar Jesus Cristo no sonho de um dos bombeiros presos sob os escombros do desabamento da torre sul do WTC. Pecado semelhante ocorre com algumas seqüências de Onze de Setembro (11’09”01), que apresenta onze relatos, de onze diretores diferentes, sobre a repercussão dos acontecimentos em seus países de origem.

O pior caso talvez esteja no documentário 11/9, dirigido pelos irmãos Jules e Gedeon Naudet. O filme é um relato sobre a transfiguração em “homem” de um bombeiro calouro em sua primeira missão na tragédia do WTC. Cansativo, piegas e de muito mal-gosto (a edição de 11/09 de 2002 pela Rede Globo, numa madrugada quase esquecida pela televisão, teve a edição da BBC e é significativamente pior que a versão comercializada).

É preciso não esquecer também de Fahrenheit 11/9, documentário dirigido por Micheal Moore no qual o cineasta, em tom panfletário, conduz o espectador a uma trincheira de teorias e argumentos para provar suas próprias convicções sobre o tema. Trata-se de um documentário, segundo Carlos Roberto de Mattos, “energético (…) senhor absoluto de sua progressão dramática do geral para o particular, habilidoso como o cão a extrair – ou sugerir – o sentido profundo de materiais de arquivo à primeira vista inócuos”.

Nem mesmo os filmes Vôo United 93 (United 93), Paul Greengrass, e Vôo 93, O filme (Flight 93) Peter Markle, conseguem escapar dos estereótipos consagrados entre bem e mal.

Ficções baseada em fatos reais, os filmes se alimentam nos relatos das conversas telefônicas ocorridas entre parentes e passageiros e nas conversas entre controladores de vôo, aeronaves e torres de comunicação do vôo que saiu de New York para San Francisco. Ambos abusam das imagens de caráter marcadamente documental com o uso excessivo de imagens tremidas. No entanto, a diferença entre eles está na abordagem.

Greengras preferiu mostrar apenas os eventos seqüenciais que levaram à queda do United 93. Trata-se de um filme seco. As montagens em paralelo alternam apenas imagens do interior do avião com as salas de comando da aeronáutica e dos controladores de vôo e buscam nos transportar para os noventa minutos em que o vôo esteve no ar até desaparecer nos campos da Pensilvânia. Segundo Marcelo Janot (O Globo), trata-se de “um dos filmes mais tensos dos últimos tempos, em parte porque sabemos que agora nada mais daquilo é de mentirinha”.

Boa parte dessa tensão, está claro, deve-se ao abuso da câmera na mão que torna frenética, inclusive, nossa presença como espectador no interior da aeronave. Dela não saímos até os momentos finais da viagem em que as imagens da câmera, chacoalhada pela tentativa de tomada do avião pelos passageiros, desaparecem e o silêncio reina por alguns eternos segundos. Trata-se de um filme onde também é possível sentir na pele a sensação de decepção.

Um aspecto positivo do filme é sua tentativa de humanizar (ou amenizar???) a situação de terrorismo mostrando um dos quatro seqüestradores no saguão de embarque dizendo ao celular: “eu amo você”. Entretanto, a tentativa acaba aí. Logo na seqüência, numa licença poética da direção, vemos os mesmos seqüestradores perturbados e confusos; coisas que, efetivamente, não sabemos que aconteceu. Que eles mataram e agrediram, todos sabemos. Agora, que rezaram angustiadamente na cabine de comando é um exagero e tanto.

Diferente do que vai ocorrer no filme dirigido por Peter Markle, Vôo United 93 é um soco no estômago dos norte-americanos uma vez que mostra a ineficiência dos Estados Unidos diante da crise ao expor as confusões e desmandos diante dos acontecimentos (a autorização para derrubar o avião, atribuição exclusiva da presidência da república, só veio depois que ele já havia caído). Apesar dessa mesma crítica estar presente em Vôo 93, O filme, ela não é tão contundente. Aliás, uma das coisas mais interessantes nesse filme em comparação ao anterior é a maneira como o diretor consegue transformar relatos de angústia em situações cinematograficamente tensas. Veja, tensas, não sufocantes e angustiantes. As conversas telefônicas existentes apenas no interior do avião no filme de Greengras são o elemento mais importante em Vôo 93, O filme. Na realidade, arrisco dizer que são sua respiração pois não há nele a mesma angústia existente em Vôo United 93.

No entanto a tentativa de humanização existente no filme de Greengras não existe em Markle. Os terroristas não apenas são caracterizados como tal (com direito inclusive ao uso de faixas vermelhas na cabeça) como estão em total oposição aos passageiros do vôo seqüestrado. Não há uma referência externa que ligue os terroristas a alguém fora dos vôos como ocorre em Vôo United 93. Seriam eles realmente tão inumanos e maus assim?

Humanizados ou não, é certo que o julgo das responsabilidades sobre os atentados de 11 de Setembro certamente passa por questões emocionais significativamente fortes. Isso no cinema, se torna um elemento significativo pois acabam se materializando em imagens extereotipadas. Mas não é possível que o bem e o mal sejam assim tão bem estruturados. Paciência!

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[31, julho | 2007] at [11:41 pm]

[fragmento de Geraldo Filme]

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Raquel Trindade, folclorista, declama o poema “Trem sujo da Leopoldina“, de autoria de seu pai, Solano Trindade – um dos grandes poetas brasileiros, e o primeiro a escrever especificamente para o público negro do Brasil. Extraído do documentário “Geraldo Filme“. (fonte: Youtube)

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[28, julho | 2007] at [7:47 pm]

[a favela de ontem e de hoje]

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Ainda dentro do que considero como “um movimento de apaziguamento da criminalidade urbana, tornando-o um espetáculo digestível para o grande público” (onde Central da Periferia, apresentado por Regina Case seria o marco mais recente), o cineasta Cacá Diegues anunciou ontem, 23/04, a intenção de refilmar um dos marcos do movimento cinemanovista: “Cinco Vezes Favela”.

Quarenta e cinco anos depois de ter realizado Escola de Samba Alegria de Viver, um dos cinco curtas que integram o filme realizado pelo centro Popular de Cultura da UNE em 1962, Diegues irá supervisionar a refilmagem do filme. Desta vez, entretanto, pelo olhar dos próprios favelados.

O projeto, financiado pela Globo Filmes e pela da Columbia do Brasil prevê a instrumentalização de favelados para que eles mesmos possam fazer o roteiro e a direção dos episódios. Essa proposta se difere significativamente da executada em 1962 quando o filme tinha um caráter abertamente político e de intervenção.

Além de Diegues, “Cinco Vezes Favela” teve o predicado de revelar dois outros grandes cineastas brasileiros: Joaquim Pedro de Andrade (Couro de Gato) e Leon Hirszman (Pedreira de São Diogo). Os outros dois episódios foram dirigidos por Marcos Farias (O favelado) e Miguel Borges (Zé da Cachorra).

Típico das propostas políticas do período o filme pode ser visto, segundo Estevão Garcia, como a “colocação em prática de um dos princípios primordiais do CPC: a instrumentalização do cinema e da arte para difundir unicamente seus objetivos políticos”. Estão perfeitamente delimitados no filme sua clara visão da cultura popular como alienante e da participação do ‘intelectual’ como agente de mudança e de tomada de consciência por parte do povo.

Resta saber o que virá dessa refilmagem. Sinceramente, não espero muito.

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Cena de Couro de Gato, de “Cinco Vezes Favela”

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[25, abril | 2007] at [6:00 pm]

Publicado em [cinema], [documentário]

[os maravilhosos caminhos da NET]

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Conversando amenidades com Alberto ele solta a seguinte indignação: “Como é que alguém pode se chamar José Ferreira?”

Já um pouco impaciente com suas ‘indignações’, respondi com um sonoro: “Nome tão comum”.

“Sim”, respondeu-me ele. “Deve ter milhões”, completou.

Entretanto, não contente, resolveu comentar sobre a vulgaridade do seu nome mencionando o fato de na Internet existir “um monte” de Albertos Pachecos, um deles, professor universitário. Mas, ainda não satisfeito, perguntou-me se eu já havia feito o mesmo: “Você já colocou seu nome na Internet pra ver o que sai?”

Não falei nada, mas abri o “Santo-Google-cheio-de-bites” e digitei toda a extensão do meu sonoro e igualmente vulgar nome: MARCOS CORRÊA.

Não para meu espanto, tenho alguns homônimos. Natural para um nome tão comum. Mas pela ordem de aparecimento, meu Blog [sobreventos] fica logo abaixo de um alto executivo da 3Com. Já o meu artigo da Revista Fênix é a décima entrada. Nada mal.

Meu espanto veio quando, contente em ver um texto meu tão ‘bem localizado’, resolvi digitar a palavra IPÊS, meu objeto de pesquisa no mestrado. Depois do primeiro link sobre a “Floração de IPÊS-roxos em Porto Alegre”, há uma entrada para o ‘meu’ IPÊS: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais; instituição responsável pela acomodação de interesses que culminaram no Golpe Militar Brasileiro em Março de 1964 e a deposição do Presidente João Goulart. Trata-se de um texto publicado na atual “Barsa” do mundo digital: Wikipedia.

NESSE LINK, alguém digitou um texto resumido sobre as atividades do Instituto abordando sua Fundação, Financiadores, Objetivos, Atividades e Métodos. No tópico “Atividades”, há uma citação sobre o fato do Instituto ter realizado filmes documentários. E, contente, leio que a referência para os mesmos é a minha Dissertação de Mestrado.

Fiquei BEGE-EQUATORIAL!

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[17, abril | 2007] at [2:37 am]