[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

[Shrek Terceiro, ou, diria, SHRECA]

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Antes que leiam minha afirmativa só no fim do texto, Shrek Terceiro é um filme pobre, muito diferente dos dois que o antecederam.

De maneira geral os erros que tornam filmes seqüenciais ruins ou são cometidos por um diretor deslumbrado, que por conta do sucesso do primeiro filme acha que pode ‘tudo’, ou por um produtor ganancioso que vê na trajetória de sucesso de bilheteria do primeiro filme a possibilidade de engordar um pouco mais o seu cofrinho.

Entretanto, de todos os pecados que tornam tais filmes ruins o principal está na falta de percepção de que o segundo filme (terceiro, quarto, quinto etc) não é apenas uma conseqüência natural do seu antecessor, mas um NOVO filme que, apesar das referências necessárias ao que o antecede, precisa renovar. Essa renovação pode acontecer, por exemplo, através de novos personagens (que imprimem um novo gás à narrativa), como ocorreu em Shrek 2.

Para que sejam bons, filmes em série precisam manter um relativo padrão de novidade, atenção e surpresa para seus expectadores. E o último filme da série Shrek não chega nem perto disso. Grosso modo, o primeiro filme da série apresenta um Ogro determinado a resgatar a tranqüilidade de seu pântano invadido por seres fantasiosos dos contos de fada. Recheado de citações a filmes clássicos do cinema, o filme surpreende o expectador que assiste um filme muito mais voltado ao público adulto que ao infantil.

A mesma estrutura se repete no filme Shrek 2. Entretanto a inovação está na profusão de novos personagens que apimentam no seu enredo uma série de ‘gags’ e piadas de excepcional humor. Quem não se lembra do Pinóquio de calcinha ou do travesti apaixonado pelo Encantado?

Era esse mesmo padrão que eu esperava ter se repetido em Shrek Terceiro. Em relação aos dois filmes anteriores, uma profusão de elementos narrativos possibilitavam ao diretor criar conflitos fabulosos que produziriam inovações significativas no filme (no fundo, tendo ainda a pensar que essa quantidade de informações acabaram por, num diretor pouco habilidoso como Chris Miller, empobrecer a história contada). O que acontece no filme é que ele repete as fórmulas das películas que o antecederam em um roteiro pobre, piegas e burocrático. Culpa de quem?

Como disse anteriormente, uma das possibilidades para que filmes em séries sejam produtos ruins está nas cifras das bilheterias. Como? Para um produtor que se preocupa mais com as vendagens do que com o filme em si, tanto faz que um dos filmes seja dirigido pelo mesmo diretor ou por um outro que atenda aos padrões estabelecidos pela indústria cinematográfica. No caso de Shrek Terceiro, ele foi o único filme cuja direção não esteve nas mãos de Andrew Adamson, mesmo diretor de As Crônicas de Narnia.

Enfim… Shrek Terceiro tem momentos de boas risadas. Mas nem se compara com os dois que o antecederam. É um filme pobre que nada acrescenta.

Written by Marcos Corrêa [Kiambu]

[19, junho | 2007] às [1:26 am]

Publicado em [cinema], [jornalismo]

2 Respostas

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  1. será que irei vê-lo?!
    beijos mil

    sandy

    [19, junho | 2007] at [1:05 pm]

  2. Era de se esperar que a fórmula cansasse, alguma hora. Mas você tem de convir, o que o público quer é mais do mesmo. Não acredito que haja muito mais pessoas dizendo o mesmo que você, por conta disso.

    b.m.

    [25, junho | 2007] at [6:31 pm]


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