[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

Archive for Dezembro 2007

[cobranças e observações]

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Neste ano ‘intenso’, a presença de mamãe em meu apartamento acabou me possibilitando rever nossas histórias, processos, erros e acertos e, em especial, a sua força desse personagem com tanta coragem e força que, inegavelmente, me marcou profundamente.

Quem conhece minha família sabe que não conheci meu pai (por sorte, relataram-me seus filhos quando os conheci em março de 2005). Fomos criados, eu e minha irmã, por minha mãe, meu avô e avó. Talvez tenha havido alguma contribuição da minha madrinha (irmã da mamãe) antes da morte do meu padrinho (seu esposo) em 1982. Mas fora esse personagem não houve grandes participações externas que influenciaram em nossa criação.

Tivemos uma criação bastante simples. Morávamos em Cuiabá numa casa de 1919 construída pelo meu bisavô. Tratava-se de uma casa ao “estilo cuiabano”, com paredes largas, corredores intermináveis e cômodos entrando uns nos outros até o último deles, o banheiro. Claro, havia o interminável terreno, repleto de árvores frutíferas, aves, cachorros, tartarugas, fossas e liberdade. Um espaço mágico, destruído pela especulação imobiliária que transformou meu antigo pé de jabuticaba num prédio de quinze andares. 

Por sacrifício da mamãe e seus constantes pedidos de descontos, conseguimos (eu e minha irmã pois creio que ela também deva pensar a mesma coisa que eu) estudar nos melhores colégios particulares da cidade. Pobres, filhos de mãe solteira, sempre nos sentíamos muito diferente dos outros alunos, em especial nas datas festivas como “dia dos pais”, reuniões de família, páscoa e celebrações natalinas pré-férias. Aulas de inglês, natação, passeios de final se bimestre eram coisas que nunca fizemos (pra ser justo, fiz um passeio de ônibus para Chapada dos Guimarães, levando comigo uma marmita enquanto os outros ‘colegas’ ganharam mesadas de seus pais para seus almoços em companhia do professor Helói).

Diferentes, assim como talvez diversos outros naquele momento também deveriam se sentir, mas essencialmente estranhos em meio àqueles alunos, jamais nos sentimos ‘integrados’ naqueles ‘universos’ tão comuns à maioria dos seus freqüentadores. Talvez por esse motivo, num momento contrário à revolta habitual daqueles que se sentem acuados e diferentes, eu nunca tenha conseguido me ‘rebelar’, usar piercing, tatoos, drogas, e ter vivido conflitos comuns de adolescentes.

Rebeldia controlada, eu tinha ainda que administrar o fato de, já naquele momento, saber-me sexualmente ‘diferente’ (essa história é um pouco longa, mas já no primeiro post deste blog já aponto algumas considerações sobre isso). Todos esses fatores, talvez, tenham me feito um pouco velho demais para aqueles padrões, algo que devo ter arrastado aos dias atuais (especialmente a “ranzinzice” e as reclamações). De qualquer modo, penso hoje, com o peso da distância dos anos, que agir desse modo era o máximo de elaboração que eu poderia chegar naquele momento.

Hoje, conversando no carro com a mamãe após ter assistido a um péssimo filme (A Bússola de Ouro), me vi na iminência de cobrá-la de algo que julguei no momento ser uma responsabilidade sua. Um tremendo equívoco de minha parte ia me fazer cobrá-la por não ter me matriculado num bom curso de inglês e pelo fato de hoje eu ser pouco letrado nessa língua. Responsabilidade sua, minha? O que importa? Estava agindo com ela de forma a jogar pra si a responsabilidade sobre algo que me pertence. Se sua culpa ou não, é algo com o qual eu tenho que lidar hoje, não ela.

Seja como for, essa situação hoje com a mamãe me fez olhar um pouco pra forma com lido com minhas próprias dificuldades. Lido com minhas responsabilidades de forma a jogá-las para que outras resolvam. Algo que acabei criticando no Sr. A acabei vendo em mim mesmo. Feiúra. Mas quem sabe assim uma forma de resolvê-la.

Escrito por Marcos Corrêa

[26, Dezembro | 2007] em [2:05 am]

[balanço?]

com um comentário

Renato uma vez me chamou a atenção sobre algo que ainda não tinha percebido. Minha relação com o “Sr. K.” é baseada na fuga. Segundo ele o que mais me prende no Sr. K. é sua síndrome de Peter Pan. Quarentão agindo ainda como adolescente, especialmente no que se refere ao consumo de psicotrópicos. Segundo Renato, em meio ao que ele considera minha prosseguida crise dos trinta anos, estar junto com  Sr. K. é uma forma de conseguir fugir das responsabilidades que os trinta anos me trazem.

Ainda não sei qual o peso efetivo de sua observação, mas sobre ela andei pensando neste último final de semana em São Paulo, especialmente após visitar o Sr. K. e ver o seu “carregamento” para o prolongado feriado de natal. Não que o fato do consumo de substâncias psicotrópicas me incomode, mas a energia a ela vinculada e seu altíssisisisisisisisisisimo poder de fuga (aliada a rígida criação de mamãe com relação a sua utilização) foram os bons fatores que até hoje impediram que eu me tornasse um exímio consumidor.  

Seja como for, a CR do Renato associada ao que vi na casa do Sr. K, os últimos eventos do ano [morte do vovô e as transformações que sua morte vão causar; a mudança pra Campinas; a separação do Sr. A, por mais cansativo que esses assuntos possam parecer para quem os lê o ano inteiro; sinusite, rinite e falsas pneumonias; mais a demissão dos meus coordenadores e a instabilidade que isso causou em mim e nos demais funcionários] me fizeram pensar novamente sobre meus trinta, minhas responsabilidades e ações.

Eufemismos a parte, desde setembro tenho andado bastante “festivo”. Baladas, amores efêmeros e muita estrada pra lá e pra cá. Se por um lado aproveitei, sei que viver esses foi muito fácil. Por outro, as coisas que me dão estabilidade para poder curtir momentos assim andei deixando de lado neste ano. Doutorado, até minhas aulas, foram preteridas às baladas. Feio de minha parte, mas foi a forma como consegui lidar com os tumultos dos últimos dias. Aproveitei sim. Mas talvez tenha sido também um grande sinal de fraqueza.

Seja como for, reclamei bem de um ano cheio de bons e maus acontecimentos [ok, sou bem ‘reclamão’ mesmo]. Mas para ele, ao menos, consegui observar alguns ‘problemas’ em mim. Espero que para o ano eu tenha um pouco mais de serenidade e saiba fazer o que deve ser feito. 

Escrito por Marcos Corrêa

[24, Dezembro | 2007] em [6:11 pm]

[off broadway]

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PERSONARE: “Neste período, que vai de 17/12 a 18/12, a passagem da Lua pelo setor das crises pessoais e o Sol na Casa 4, sendo que um está em harmonia com o outro, pode se revelar uma fase muitíssimo favorável para seus processos de auto-análise e aprofundamento de alma. Tende a ser um período em que você, Marcos, descobre uma série de recursos interiores muito especiais, qualidades pessoais que você raramente usa, mas que são significativas e que têm o potencial de lhe ajudar a solucionar uma série de questões! Não é um período lá muito “sociável”, mas nem sempre nós temos que estar dispostos à extroversão, não é mesmo?”

Escrito por Marcos Corrêa

[17, Dezembro | 2007] em [9:36 am]

Publicado em [tempestidades]

[coutinho, salles e os 'críticos de arte']

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“Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, foi escolhido como o melhor filme brasileiro de 2007 pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O filme é bom, mas não é pra tanto.

Será que é difícil aceitar o fato de que ele é bom somente porque é de Coutinho? Por favor. Na minha opinião entre ele e “Santiago”, não tenho dúvidas quanto ao último.

Escrito por Marcos Corrêa

[12, Dezembro | 2007] em [5:38 pm]

Publicado em [cinema], [documentário]

[contagem regressiva]

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Ano de terra ‘revolvida’, alertaram-me logo no início dele. Recomendaram prestar atenção especial às doenças, aos problemas ‘técnicos’ e a falta de manutenção em casas (nosso corpo é nossa casa???) e meios de transporte. Será que o excesso de acidentes de aviões em Sampa está relacionado a isso? Seja como for, a coincidência com as indicações dos caramujos sagrados é bem grande. Mas calma Marcos, ainda faltam 19 dias pra 2007 acabar. Jisuis!!!

Escrito por Marcos Corrêa

[12, Dezembro | 2007] em [5:03 pm]

[alma e alimentos]

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Ontem alimentei dois seres especiais. Dourados e desconhecidos até bem pouco tempo, hoje são partes de um significativo processo de crescimento que está longe de ser completado, mas para o qual busco me preparar. O problema é que ainda não me sinto especial o suficiente para me considerar a eles vinculado.

Escrito por Marcos Corrêa

[10, Dezembro | 2007] em [1:00 am]

[final de ano]

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A árvore do ano de 2007 rendeu muitos frutos. Mas suas raízes cavaram fundo a terra e revelaram segredos que ainda não foram perfeitamente compreendidos no sabor das frutas amadurecidas. Dores, alegrias e conquistas se misturaram ao sabor agridoce das polpas visitada pelos bicos das aves que rondaram meus sonhos.

Escrito por Marcos Corrêa

[10, Dezembro | 2007] em [12:54 am]

[jornalistei]

com 2 comentários

Com o tema “Website de uma comunidade de Candomblé Angola-Kongo”, defendi hoje a TCC do curso de jornalismo da FACCAMP. Agora faço parte do clubinho dos “jornalistas diplomados”.

Quem quiser conhecer o resultado do trabalho acesse Casas de Hongolo.

Website Casas de Hongolo

Escrito por Marcos Corrêa

[3, Dezembro | 2007] em [10:38 pm]

[dodói]

com um comentário

- Pois não? Perguntou-me a atendente gordinha toda sorridente.
- Queria atendimento de urgência. Respondi, emitindo na seqüência uma sonora tosse.
- Qual o seu convênio? Perguntou-me na certeza de que todo cidadão brasileiro tem por obrigação possuir um dos muitos planos de saúde privada existentes no país.
Não lhe resondi nada. Cansado e chateada por ter dirigido até Vinheto para ser atendido, apenas retirei da carteira o cartão do plano e o documento de identificação.
- Aguarde sentado que eu chamo você Marcos.

Uma hora depois, Raio X e inalação, Pneumonia.

Escrito por Marcos Corrêa

[2, Dezembro | 2007] em [4:10 pm]

Publicado em [lugares], [tempestidades]