[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

[o passado, de Babenco]

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Como já disse uma vez, detesto Carandiru (2003), penúltimo filme dirigido por Hector Babenco. Mas com a estréia de O Passado, achei que iria me reconciliar com o diretor de Lúcio Flávio, passageiro da agonia (1977), Pixote – A lei do mais fraco (1980) e O Beijo da Mulher Aranha (1984). Não foi desta vez. 

Grosso modo, a história de O Passado é uma visão machista sobre as relações pessoais. A trama se desenvolve em torno de Rimini (Gael Garcia Bernal) e de Sofia (Analía Couceyro). Separado do que considerava uma paixão de adolescente, Rimini tenta reconstruir sua vida e se envolve com outras mulheres. Aparentemente reticente, ao ser perseguido por sua ex-mulher, sua história sempre toma um rumo pouco determinado por suas vontades e desejos. É ela quem o destrói e o reconstrói segundo seus caprichos, vontades e submissão de fêmea.

O passado, el pasado, de Hector Babenco | O passado, el pasado, de Hector Babenco

Não se trata de um bom filme. Trata-se de uma história confusa, mal resolvida e cansativa em alguns momentos, não fosse pela beleza de Gael, a participação de Palo Autran em seu último filme, uma piada classista envolvendo a quiropraxia, e a cena em que Vera (Moro Angheleri) retira sua lente de contato diante da câmera. Como diria Inácio Araújo, em um texto que tenta colocar pernas num filme manco, uma cena quotidiana, mas pouco usual no cinema.

Written by Marcos Corrêa

[19, Novembro | 2007] às [10:07 am]

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