Archive for Outubro 2007
[Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho]
“Eis a fórmula. Ta, mas e daí?”.
Foi com essa impressão que saí do último filme de Eduardo Coutinho, Jogo de Cena, que entrou em Cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Trata-se de um belo filme, porém pouco cativante.
Segundo Carlos Alberto Mattos, ao fazer um “elogio da atuação dramática”, o filme volta-se para a desmistificação da diferença entre documentário e ficção. “Documentário é aquilo em que decidimos acredita”, afirma. O certo é que existe sempre um personagem que interpreta o seu papel, ficcional ou não, diante das câmeras. Coutinho, em seu estilo particular, sabe capturar esses personagens.
Em entrevista ao jornalista Cunha Jr do programa Metrópolis, Coutinho afirmou que o “ato de filmar é que é verdadeiro”. Trata-se de uma fórmula recorrente em seu trabalho. A diferença nesse filme talvez esteja no uso de atrizes profissionais e amadoras que acabam por confundir o espectador em alguns momentos. No entanto, para quem já conhece a fórmula, esses personagens não cativam. Da metade do filme em diante não esperamos grandes surpresas; exceto, talvez, pela interpretação canastra de Marília Pêra e a mistura dos seus “personagens” feita por Fernanda Torres.
[superlotação?]
[sobrevivente das águas de junho. e chove em junho???]
[menos um marginal]
[marginalidade e a ‘parição’]
Baseado no livro Freakonomics, dos autores Steve Levitt e Stephem Dubner, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PSDB), “pai de cinco respeitados cidadãos brasileiros”, defendeu a legalização do aborto como uma forma de conter a violência no Estado uma vez que as favelas são “fábrica de produzir marginais”.
Comparando a questão do aborto no Brasil com outros países (como Japão, Estados Unidos, Portugal e Esapanha, cujos índices de desenvolvimento humano são muito próximos aos do Brasil???), o governador teve a incrível capacidade de afirmar não ser favorável ao aborto, mas que como política pública ela pode ser uma alternativa para a diminuição da marginalidade do estado que governa. Uma visão, no mínimo, míope.
Permitindo-me pensar como ele, construí um texto em que utilizo sua ‘voz’. Seria algo mais ou menos assim:
Mulheres pobres do Brasil, em especial as faveladas. Parem de parir. Não agüentamos mais tanta marginalidade. Não adianta nada termos políticas públicas de inclusão social, cotas em universidades, um sistema educacional e de saúde de primeiro mundo, uma distribuição de renda igualitária se vocês continuam a parir continuamente e darem luz a marginais que descem dos morros e agridem a classe alta deste país, tão interessada em seu crescimento. Por favor!
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Fonte: FSP, 25/10/07
[impressões balzaquianas motivadas por um lisboeta inglês]
Cenários e pessoas me marcam profundamente. Em 1998, fiz uma viagem com Roberto, meu primeiro companheiro, para o Nordeste. Carona, fui de carro de Cuiabá para Fortaleza (uma viagem que durou vinte deliciosos e agonizantes dias) acompanhá-lo num congresso do sindicato dos professores universitários. Durante a viagem, tinha certeza que ela seria definitiva num relacionamento intenso e significativo que bravamente durou quase seis anos.
Definitiva, a viagem para o Nordeste me marcou de diversas formas. Pela primeira vez vi os mares do nordeste e me lembro com carinho de lugares como Canoa Quebrada, Maragogi, Natal (o morro do Careca), Fortaleza, Recife, João Pessoa (o restaurante Mangaio), Salvador (e o elevador Lacerda), Juazeiro, Petrolina, dentre outras diversas cidades que visitamos. Ainda consigo me lembrar dos inúmeros personagens (desdentados e bebedores de Iogurte, era o governo de FHC) que encontramos nas esburacadas estradas da região.
Em 2007, outra viagem, assim como seus personagens, marcaria o fim de um relacionamento igualmente importante. Desta vez o local foi o Rio de Janeiro, cujo cenário em 2001 também marcou o fim de um relacionamento anterior. Motivado pela presença de um amigo (o autor de um e-mail que motivou este post), cujo futuro, anseio, nos reserve novos e especiais encontros, rompi com o Alberto; ao qual peço desculpas pela inevitável citação direta.
Confesso que relutei em realizá-la, pois sabia que significaria uma transformação significativa. Não deu outra. Ela foi o ponto final de um belo encontro ocorrido quatro anos antes, quando nas paragens campineiras resolvi aportar sem saber das inúmeras transformações que a região me proporcionaria.
Em Ipanema, assim como o foi em 2001, remoí meus sentimentos, desejos e vontades, em especial aquilo que não compreendia, mas que me angustiava e ansiava por mudar. Diferente do que ocorrera em 1998 e 2001, optei conscientemente por um fim anunciado. Foi, em se tratando de relacionamentos, a primeira vez que isso ocorreu.
Imerso em problemas, compromissos, acontecimentos e diversas outras transformações proporcionadas por um ano de “terra revolvida”, esse evento, aparentemente comum a outros olhos, ainda não havia se decantado. No entanto, obrigado a conviver apenas comigo desde terça-feira (data em que me mudei para um apartamento para morar sozinho) e motivado pelo e-mail de David, carinhosamente vindo de além mar, me vejo hoje pensativo sobre mim, os outros, meus atos e boa parte daquilo que construí, e igualmente desconstruí.
Religião, doutorado, jornalismo, namoros, ex-amigos, faculdade, alunos, cigarros, doces, ciências veterinárias, contas, (des)iniciação, amigos, e uma vontade louca de jogar tudo pro alto e ver em que lado da moeda eles caem. Se der cara, morrem. Se der coroa, continuam. É isso o que acontece quando se faz trinta anos? Ou estou, talvez reincidentemente, exagerando?
Sono. Muito sono e poucos sonhos. Eram tão comuns. Por que sumiram?
Respondo: Alice, o seu País das Maravilhas dos sonhos acordados já não existe mais. Agora é só o chapeleiro louco. Boa Sorte.
[vanessa da mata, ainda bem...]
Uma desejo, pessoal…
[vanessa da mata & ben harper]
Música da semana, segundo Sandy.
[what you see is what you hear, Wim Mertens]
Hoje, após vários desprazeres, tive o privilégio de ir na casa do Prof. Etienne Samain. Lá, carinhoso e atento como só ele, belgamente, sabe ser, nos presenteou, a mim e a Sandy, com a exibição de um show de Wim Mertens.
O músico, é o mesmo usado como trilha do filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos” de Marcelo Masagão. Aqui, reproduzo Struggle for Pleasure.
[depois dessa, parei... de fumar]
Não entendo os diagnísticos clínicos, especialmente as inúmeras palavras ‘estranhas’ que eles usam. Alguns chegam a certo grau de intimidade com alguns medicamentos que chegam a tratá-los de maneira íntima, como chamar SULFAMEZIXAZOL de “Sulfa”. Tão doce…
De qualquer modo a Dra. Claudia, do CECOM, Unicamp, me diagnosticou hoje com Sinusite. Justo eu, que tanto critiquei a sinusite alheira. Agora sei que para se ter Sinusite não basta apenas fumar, fator que contribui muito para seu agravamento uma vez que a fumaça do tabaco acaba irritando cada vez mais as vias respiratórias, ou estar esposto a poluição. Nem tão pouco, apenas se ter gripe (mesmo em estágio inicial). Trata-se de uma combinação de um organismo debilitado + bactéria solta (nem precisam ser aqelas muito doidas).
Segundo a Dra. Cláudia, uma outra forma é compartilhar o mesmo espaço com alguém que já possui esse tipo de inflamação e, simplesmente, adquiri-la. Isso pode ocorrer desde uma boite, até sala de aula, locais que ando frequentados muito ultimamente.
No ano de papai, “pé em Deus e fé na tábua”.