[sobreventos]

O vento se dispersa pela sua rapidez ou é apenas uma característica?

Revendo fantasmas

com 3 comentários

Nunca soube explicar ao certo o que sentia quando o via, Estar perto dele era como sentir medo, mas também prazer, Sua presença fascinava os meus olhos de criança pela forma como conseguia dissimular meu incômodo com sua presença e o amor que sentia por ele, Eu conseguia sentir sua presença abrindo a grande do portão e se aproximando com sua respiração pesada, restos de comida na barba, roupas sujas e sempre apertadas, Ainda consigo me lembrar do cheiro que exalava do seu corpo, uma mistura de sexo, tinta e suor que aprendi a buscar também em outros corpos menos deformados que o seu, Mesmo repleto de meus afazeres de criança não conseguia dizer não aos seus convites para acompanhá-lo aos locais onde as tintas, comidas e o sexo exalavam do ambiente, Essa vai doer um pouco, molha mais ele, dizia, sempre confiante de meu silêncio e do seu poder de homem que tudo pode, que tudo estraga, que tudo quer…

Escrito por Marcos Corrêa

[15, Setembro | 2006] às [1:44 pm]

Publicado em [pequenos ventos]

3 Respostas

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  1. “de homem que tudo pode, que tudo estraga”. essa foi uma das coisas mais lindas que já li, juro. Me fez pensar e ver muitas coisas. O egoísmo do outro e essa mistura de excitação e não sei o que mais. E depois se descobre usado. Enfim…

    Santiago

    [28, Setembro | 2006] em [5:06 pm]

  2. [...] primeiro post de [sobreventos] traz uma lembrança forte, amarga e significativa na minha vida. Sandy, afirmou ter visto nele [...]

  3. [...] naquele momento, saber-me sexualmente ‘diferente’ (essa história é um pouco longa, mas já no primeiro post deste blog já aponto algumas considerações sobre isso). Todos esses fatores, talvez, tenham me [...]


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