[virtual barbershop]
[24, Junho | 2008]Reproduzo o áudio que colhi da página de Gustavo Moura, Virtual Barbershop.
Trata-se de uma experiência de áudio em 3D. Ouça com fones de ouvido. É perfeito.
A primeira vista, pareceu-me ruim morar na inconstância e tolerar ser desancorado dos espaços que o vento escolheu para repousar o meu peso; afinal é seu o meu juízo. Hoje, apesar de não menos difícil, parece-me menos intolerável aceitar o destino de ser limite, repousar em lugares diversos, frear em cima dos carros, varrer a copa das árvores e carregar sementes para depositá-las em lugares antes indistintos.
Reproduzo o áudio que colhi da página de Gustavo Moura, Virtual Barbershop.
Trata-se de uma experiência de áudio em 3D. Ouça com fones de ouvido. É perfeito.
Numa festa-brejo, ouvi de Adriana, uma ex-moradora do interior baiano, o relato da premiação de um evento muito importante.
Ao fim do concurso que elegeria a Miss Uruçuca, a vencedora, questionada sobre qual seu prato predileto, solta a seguinte frase:
“Sobri-cu e pecoço”
Não quero nem saber qual o livro que ela mais gostou de ler; se é que ela sabe ler! Mas confesso que adorei a sinceridade. Salve a Miss Uruçuca!!!
Abaixo, link para produções dos meus alunos de RTV nas disciplinas de Criação e Produção em Rádio e Oficina de Expressão em Imagem e Som I.
Reproduzo um poema de Elisa Lucinda que adoro… Por que será?
SAFENA
(Elisa Lucinda)
Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.
Quase um mês. Esse é o tempo que [sobreventos] está sem grandes atualização. Nesse tempo de ausência, várias coisas aconteceram, decisões, mortes, idas e vindas. Mais queria compartilhar uma chegada, a de Cerejo. Ainda estamos um pouco assustados, ele e eu. Afinal, ser pai é ‘comparecer’, e esse exemplo talvez só ele tenha tido.

Como eu podia ser assim tão transparente para ele quando, pelo menos em cinqüenta por cento das vezes, não fazia a menor idéia do que estaria passando pela sua cabeça? E era eu que ia ao colégio. Era eu que sabia ler e escrever. Era eu o inteligente. Hassan não era capaz de ler nem um livro de primeira série, mas podia me ler com a maior facilidade. Era um tanto perturbador, mas também um pouco reconfortante ter alguém que sempre sabia do que você estava precisando. (O caçador de Pipas, pág. 90)
Todos sabe o quanto eu não sou simpático ao prefeito Kassab. Menos ainda aprovo boa parte das sua medidas administrativas, apesar de ter adorado o projeto que diminuiu a poluição visual gerado pela publicidade na capital. No entanto, como não poderia deixar de ser, ele apronta mais uma.
Já que na tentativa anterior de melhorar o trânsito da capital com medidas paliativas ele não conseguiu acabar de vez com os motoboys, desta vez seu foco foram os caminhões que circulam pela cidade. Agora, quem quiser mudar de seu apartamento ou casa durante a semana deverá adiar seus projetos para o final de semana. A julgar pela medida que deve entrar em vigor em 45 dias, caminhões de mudança, carros fortes e coletores de lixo estão proibidos de circular entre as 5 e 21 horas na chamada zona de exclusão que foi ampliada de 25 para 100 km2. A regra também vale para os caminhões de gás, afinal, como aponta o próprio prefeito, boa parte da cidade já é abastecida pelo “caro” serviço de gás encanado e sua medida não afetará o paulistano.
No entanto, a medida do prefeito, sempre preocupado com o bom andamento da cidade, admite algumas exceções. Estão liberados os caminhões de lixo que fazem a limpeza de feiras livres e betoneiras que carregam toneladas de concretos que construirão grandes e luxuosos condomínios de apartamentos nos bairros centrais da cidade, cheios de novos e luxuosos carros que entupirão cada vez mais as ruas já tão pouco congestionadas da capital paulistana.
Este texto é uma análise de propaganda utilizada como exercício da disciplina de Produção Publicitária em RTVC IV que ministro.
—————————————————————————————–
Prisma, um carro heterossexual
A propaganda do novo carro da Chevrolet tem destino certo: homens. Mais especificamente, jovens executivos heteros, brancos, moradores de grandes cidades, que têm entre trinta e trinta e cinco anos. Mas qual o motivo de tanta precisão?

Publicitariamente, a melhor maneira de se atingir um público-alvo é desenvolver produtos específicos para serem consumidos por eles. Determinante comum em qualquer peça publicitária o público consumidor tem papel preponderante na forma como o produto deve ser desenvolvido. Busca-se atender suas expectativas e, em muitos casos, se antecipar a elas criando novos hábitos de consumo.
(Clip Ampliado)
O slogan da campanha de Prisma é “sua vida te trouxe até aqui”. No site a propaganda, montada como um show ao estilo das cantatas de final de ano, apresenta personagens que supostamente são comuns ao potencial consumidor do novo veículo. Equilibrando-se em uma única perna, um Saci abre a peça. Apesar de caracterizado como o personagem das histórias ficcionais, há nele um componente que o retira dessa condição: ele é um tocador de trompete. É a partir desse modelo “tupiniquim norte-americanizado” que personagens fantásticos e reais vão surgindo na propaganda. A idéia é construir uma história de tal modo que as ordinárias ações quotidianas pelo qual passou o potencial consumidor do Prisma foram, nada além, de uma construção necessária para que, hoje, ele possa consumir o carro da Chevrolet. Trata-se quase de uma conspiração astral que o levou fatalmente a ser o mais “capacitado” humano para consumir um produto tão “arrojado” e “moderno”. Entretanto a propaganda apresenta camadas de leitura que vão além.
O homem pintado pela propaganda é hetero. Trata-se de um ser cuja identidade é fruto de uma construção social que o torna capacitado para assumir postos hierárquicos importantes. Faltava-lhe apenas o último instrumento que pudesse “conduzir” ao lugar que lhe foi reservado. Algo que lhe garantisse “conforto”, “segurança”, “versatilidade” (afinal a propaganda é de carro, não de seguro) e que fosse uma ferramenta adequada à sua nova vida: um carro.
(clip TV)
A propaganda é calcada na noção de progresso. E, coerentemente, o novo carro vem para conduzir o consumidor homem para uma nova etapa de sua vida. Prisma não é um carro feito para mulheres. Elas são apenas caminhos pelos quais o “homem-hetero-consumidor” da propaganda passou para chegar ao seu estado atual. E na propaganda esse predicado é estendido a todos os personagens envolvidos na sua trajetória. Significa dizer que o universo de onde esse homem surge não é um universo pequeno dado a magnitude dos personagens envolvidos para contar a “história da sua vida”. Desde o médico que o ‘trouxe ao mundo’, passando pela primeira professora, a empregada que lhe ensinou sexo, as coelhinhas da Playboy, a primeira namorada e chefe, os personagens ficcionais como Scooby, Jaspion, Fofão, passando pelos colegas de faculdade, até sua noiva, completamente alienada e apaixonada, todos estavam à sua disposição para que, hoje, ele fosse o que é.
Simbolicamente há uma clara divisão social entre esses personagens. Todos passam pelo suposto consumidor e estacionam sua vida enquanto ele ‘evolui’. Entretanto, essa evolução não significa um crescimento voluntário determinado apenas pela sua vontade. Ele é involuntário e socialmente determinado. O homem que a propaganda busca atingir é um homem que está se tornando pai de família, mas que não pode ainda perder o status jovial de homem aguerrido e sonhador. Trata-se de um recurso para o qual apela a propaganda para atingir um público que ainda não é um “alto executivo”, mas que se sente pressionado a assumir diversas outras responsabilidades (como o casamento, por exemplo), para pertencer ao grupo dos “escolhidos”. Um caminho óbvio, mas que aceita um atalho (quase um auxílio): um veículo “potente” que reforce a idéia de ascendência. Não há inclusive, em nenhum dos personagens da propaganda, algum que pudesse contrariar essa determinação. A mãe, que supostamente poderia ser um personagem ‘crítico’ em relação à história narrada (afinal é mãe), é negligenciada. O homem-consumidor surge pela mão do médico. É ele, após o personagem fantástico de Monteiro Lobato, quem faz sua introdução.

Mas retornemos à propaganda. Para a construção do pressuposto homem-hetero que afirmei presente nela foi necessário recorrer a personagens que compunham o seu universo nos anos de 1980 e 1990. Sabe-se que nesse período um forte movimento de construção de identidades despontava nos subúrbios de Nova York, puxado principalmente por grupos minoritários como negros, latinos, rappers e homossexuais. Esse processo, facilitado pela possibilidade de utilização de meios de produção audiovisual, imprimiu nesses grupos a necessidade de construção de ícones próprios ou que remetessem ao seu quotidiano. Havia neles um duplo caminho de construção de identidades através da revelação de cantores, atores e artistas do quotidiano e de apropriação de símbolos, gestos e ações de artistas que despontavam na cena cultural norte-americana. Desses, Madona e Michael Jackson, apesar de distantes ideologicamente, foram os mais significativos.
Nesse percurso de símbolos e imagens, uma questão pendente é: porquê essas influências não estão presentes na propaganda de Prisma? A resposta é porque hoje essas representações da cultura norte-americana acabam esbarrando em algum conceito ligado à homossexualidade. Eles saíram do status meramente localizado do período e se consolidaram como influência decisiva para grupos minoritários como os gays, lésbicas e rappers. Estão ligados a um conceito de contravenção, de questionamento da ordem. E, certamente, essa não seria uma “boa” lembrança para o potencial consumidor do novo produto da Chevrolet.
No Brasil, para boa parte dos adolescentes que viveram entre essas décadas, e que assistiam regularmente a programação da TV aberta, personagens como Changeman, Zorro e Fofão não são ilustres desconhecidos. Independente do poder aquisitivo das famílias brasileiras, seres fictícios como Stay Puft (Caça Fantasmas), Scooby-Doo, entre outros, povoavam o imaginário das crianças que hoje teriam entre 30 e 35 anos de idade. Nessa mescla de personagens importados e nacionais, seria natural supor que uma propaganda voltada para esse público recorresse a eles como forma de resgatar as influências presentes em seu imaginário. Como o “Primeiro grande carro” de uma geração que conseguiu sobreviver à “devassidão” causada pela década de 1980 e 1990, associá-lo a ícones gays seria macular a sexualidade de um excelente consumidor. É menos traumático se lembrar da transa com a empregada. Afinal, ela é apenas mais uma nordestina.
Os projetos se desdobram aos montes sobre a mesa do escritório (???) recém-arrumado. Ribeirão Preto (curso Aruanda), Natal (Intercom), São Paulo (Anhembi-Morumbi), Sesc (Aruanda), Livros de Receita Afro-descendentes (Centro de Memória), Brasília (Socine), Salto (Grupo de Pesquisa), Doutorado (o de sempre), Covilã (Grupo sobre documentário). Dou conta? Eu me mato, mas finalizo todos eles.
O relógio desloca os segundos que empurram as semanas sobre os sonhos que um dia foram tão distantes.
Hoje me lembrei que esqueci algo que um dia já foi importante: o aniversário de um ex-grande amor. Por sorte a Embratel nos ajuda a resolver certas confusões.
Fui pontualmente grosseiro com alguém que é grosseira contumaz. Não tive trato ao agredir uma irmã de fé que, não contente com o desempenho do seu trabalho, resolve sempre se intrometer onde não foi convidada a opinar. Péssimo.
As gerações antigas não tinham metade dos problemas atuais, especialmente uma coisa chamada ‘estresse’, que ajudasse a afetar sua memória para as coisas mais simples como a data de aniversário de um vizinho. Também não tinham o computador para ajudá-las nessa tarefa. Em velocidade, somos muito superiores a eles. Mas será que ganhamos com isso?
Bethânia, do Computador, pergunta: “se a voz da noite responder, onde estou eu, onde está você? estamos cá dentro de nós, sós”.
Por fim, uma dose de Campari, sempre é uma boa companheira em noites sós.
Ao telefone, Laurinha, zangada com amigos cuiabanos atormentados com sua solteirice convicta, solta a frase que roubei para o blog.
Se não for quem eu quero, não será quem me quer.
Perfeição, acima de tudo.
Assisti, em vídeo, ao filme Piaf. O prêmio de melhor atriz foi muito bem dado.
————
Non, Je Ne Regrette Rien
Musique: Marc Heyal
autres interprètes: Nicole MartinNon ! Rien de rien …
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu’on m’a fait
Ni le mal tout ça m’est bien égal ! Non ! Rien de rien …
Non ! Je ne regrette rien…
C’est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé !Avec mes souvenirs
J’ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n’ai plus besoin d’eux !Balayés les amours
Et tous (*avec) leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro …Non ! Rien de rien …
Non ! Je ne regrette nen …
Ni le bien, qu’on m’a fait
Ni le mal, tout ça m’est bien égal !
Non ! Rien de rien …
Non ! Je ne regrette rien …
Car ma vie, car mes joies
Aujourd’hui, ça commence avec toi !
Cartas d’além mar, recheadas de novos sotaques e maneirismos, ressuscitaram histórias que julgava extintas. Não que fossem terríveis, mas me deixaram um pouco sem rumo. Teria eu sido realmente tão egoísta e cego? Bom, eu nunca me julguei ou quis ser. Mas teria sido eu tão ruim?
De todo modo, num processo já longo de revisões, elas conseguiram imprimir nesta noite meu não-pertencimento ao mundo.
Enquanto Khaled Hosseini faz com que Amir e Hassan caçem pipas, eu me delicio suas frases:
“Ishallah – repeti eu, embora a idéia de ‘vontade de Deus’ não soasse muito sincera em minha boca. Isso era um dos problemas com Hassan. O desgraçado do garoto era tão puro que a gente sempre parecia hipócrita perto dele.”
Vestida de negro, estilo ‘dark’, uma aluna da faculdade de comunicação diz: - Você quer ver como Porto Feliz evoluiu? Tem dois elevadores na cidade agora.
Nada mais justo para a cidade da qual saíam as monções com destino aos ‘guiais’.
Para um cuiabano como eu, que conviveu por vinte e quatro anos com temperaturas nada baixas, pode soar estranho dizer que um ventilador pode me derrubar. Mas é bem verdade. Acostumado desde 2002 ao ‘inverno’ campineiro, raramente (conto nos dedos os dias) uso ventilador. Hoje, dois dias seguidos tentando me acostumar a um, amanheço bem congestionado e querendo minha casa.