[ser ou não ser jornalista?]
Reproduzo abaixo um texto recebido do JORNALISTA Onofre Ribeiro, de Mato Grosso, sobre a decisão do STF da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
Na semana passada o ministro Gilmar Mendes comparou o preparo para o exercício de jornalista ao de um chefe de cozinha. Metáforas à parte, mesmo que em se tratando de coisas que não são as mesmas coisas, e nem parecidas, a discussão merece análises. A argumentação usada para derrubar a exigência do diploma para o exercício do jornalismo foi de que ela surgiu em 1969 durante o regime militar para facilitar e controlar o exercício da atividade dos jornalistas.
É uma meia verdade. Verdade é que em 1967 surgiu uma lei de imprensa muito rigorosa com o fim de intimidar a imprensa, que na época era restrita a uma televisão nascente, a jornais com pouca circulação e restritos às grandes cidades, a algumas revistas. Na época o rádio era o grande veículo de penetração em todo o país, mas com baixo tom crítico. Dizer que a regulamentação da profissão se deu para controle dos profissionais não é verdade. O fato é que, por exemplo, em 1967 nascia a revista “Veja”, firmava-se a TV Globo, existiam a TV Tupi e outras de menor expressão, uma ou outra fora do eixo Rio-São Paulo. Mas o fato é que surgia naquele instante uma imprensa mais moderna, mais dinâmica com esses veículos citados, e com a reforma de jornais tradicionais como o “Jornal do Brasil”, no Rio de Janeiro, o centen rio “O Estado de São Paulo” e o “Zero Hora”, no Rio Grande do Sul.
A regulamentação veio no momento em que a imprensa se modernizava e se ampliava para uma sociedade brasileira urbana, no lugar da velha sociedade rural que morria no fim dos anos 60. O mercado pedia uma imprensa sintonizada com as novas transformações econômicas, sociais e, obviamente, políticas. A censura era aplicada aos veículos de comunicação e não aos jornalistas individual ou coletivamente. Eram punidos pela lei de imprensa aqueles que infringiam os duros artigos dela. No mais, a perseguição política por parte do regime estava voltada à militância política individual dos jornalistas, mas não sobre o conjunto dos jornalistas. É bem verdade que o regime militar não gostava da imprensa e nem de jornalistas. O preconceito era grande e aberto. Convivi de perto com o rótulo de que “os jornalistas são da esquerda”, “são comunista s” e “não são confiáveis”. Os jornalistas anteriores a 1969 foram equiparados aos graduados em faculdade de jornalismo. Mais tarde o provisionamento foi estendido mais de uma vez àqueles que não puderam se legalizar nas chances anteriores. Muitos ainda estão no mercado exercendo o jornalismo com competência e com dignidade.
Agora voltamos à questão do diploma cassado como norma para o exercício profissional. O mundo mudou e o poder da imprensa multiplicou-se por mil, além de que os quatro tipos de veículos (rádio, TV, jornal e revista) hoje vão muito além de 20, com a ramificação possível graças à internet e às tecnologias aplicadas na mídia convencional. A comunicação tornou-se uma ciência complexa e participante em todos os momentos de todas as atividades coletivas e individuais da humanidade. Imagino que isso só já bastaria para justificar a compreensão científica dos processos de comunicação social como atividade social, econômica, política e humana.
A construção de uma imprensa profissionalmente laica baseada nas diversidades “jornalísticas” de pessoas da sociedade, vai levar tempo e não se sabe que tipo de comunicação vai produzir. Pode se perguntar, por exemplo: o que vai acontecer com o formato das televisões, do rádio, dos jornais, das revistas, etc? Alguém, certamente, dirá que vai melhorar. Pode ser. Mas então, que se mude os argumentos de que um jornalista é igual a um chefe de cozinha. Cada um faz pratos muito diversos e diferentes. Poderá ser ótimo para as empresas lidarem sem gastos salariais com profissionais aleatoriamente. Mas e o conteúdo da informação geral, genérica, global e abrangente?Será feito por médicos, por advogados, por economistas, por dentistas, por professores e, quem sabe, por chefes de cozinha?
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
[stefhany]
Como diria Marysa, minha gente, não há limite pra “bacaceira’ nacional. Nem LBFV esperavam por essa! Reparem no ‘prástico’ do quebra sol. Publicidade gratuita pra VW do Brasil. Será que as vendas aumentaram? Como o fez meu amigo Ciro ao comentar o vídeo, “acho muito digno”. Adouuuuuuuuuro!
[mudanças]
Não sem susto, confesso, retorno a São Paulo. Quando pra cá vim para morar pela primeira vez, em 2004, sentia-me muito mais livre que hoje. Era como se eu merecesse o repouso intranquilo (pois é assim que vejo a capital) em uma terra de possibilidades e limites. Desta vez, o repouso toma vez de ansiedade. A terra que me oferecia espaços, lugares, encontros e desencontros agora se transformou no local onde irei atuar profissionalmente, onde deverei encontrar meus amores, amigos, espaços de alegrias e tristezas. Estarei preparado pra ela? Estará ela apta a me receber? Tempo.
[quase]
Hoje assisti a uma palestra na FMU, faculdade na qual leciono neste semestre. O tema era a nova campanha publicitária da faculdade baseada num conceito retirado de um poema de Sarah Westphal Batista da Silva, estudante de medicina e moradora da cidade de Florianópolis.
Citado como de autoria de Luiz Fernando Veríssimo, o poema nada mais é que uma resposta de Sarah a um grande fora levado de um rapaz com quem ‘quase’ namorou no ano de 2002. Seja como for, mais pela intensidade do texto e pela sacada do publicitário, reproduzo o texto abaixo e a propaganda.
Quase
Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez, é a desilusão de um “quase”. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto! A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é
desperdiçar a oportunidade de merecer.Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu!
[se eu fosse você 2]
Continuação da comédia [se eu fosse você], o filme conta a história de Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) que estão prestes a se separar quando mais uma vez trocam de corpos repentinamente. Envoltos em problemas da mudança de identidades, o casal ainda tem que paralelamente conviver com a gravidez de Helena e a da filha do casal, Bia, interpretado por Isabelle Drummond.
Filme mais visto em 2006, a versão de 2008 repete a fórmula “artistas da globo como chamariz principal” (o que não é ruim), com o acréscimos de elencos da própria emissora que o co-produz através da Globo Filmes. Nesta versão, Chico Anísio e Maria Luíza Mendonça, em atuações pouco ‘luminosas’, fazem o papel dos pais de Olavinho (Bernardo Mendes), namorado de Bia.
Dirigido por Daniel Filho, o filme tem pontos muito positivos, em especial o fato dos atores principais estarem muito mais ‘descolados’ nos papéis que interpretam. Um filme leve, descontraído e despretensioso. Garantia de boas gargalhadas.
[sinédoque]
Quando seus olhos não me encontram, preferindo a intensidade de sua alma, julgo irresponsável minha disposição frente aos seus excessos. Ou estaria eu contribuindo pra eles pois desaprendi a amar?
[ofertas]
Uma conhecida poeta em Mato Grosso, Marta Coco, fez um poema que gosto muito chamado ‘teia’: curto, simples, direto e visual.
Teia
(Marta Coco)Árvore seca
A lua é mosca em sua teia
Hoje, entre um Vanilla Café e um expresso simples, me lembrei dele enquanto acariciava o braço de alguém especial. Tive naquele momento a nítida certeza de que gostar é uma palavra difícil de ser conjugada. Ainda mais se o objeto do seu afeto não for um animal, veículo ou uma planta.
Um conhecido dizia sempre uma frase que eu achava muito engraçada, mas que ainda não tinha entendido o real significado. Ele dizia que preferia as plantas carnívoras aos homens. Concordo em parte. Ao menos elas não permitem fazer conjecturas se irão ou não devorar o mosquito que se prende em suas garras. É morte certa. Já os homens, ao prenderem os outros em suas teias, não deixam claro se irão te devorar ou soltar; tudo é um indefinido, limbo.
É certo que esse é o limbo presente quando o assunto é “estar aberto a conhecer alguém”. Um relacionamento não é algo gratuito que nasça do nada de maneira clara, simples e limpa. Ele é fruto de nossas experiências passadas e presentes. Afinal, sempre somos nós mesmos o limite de conhecer o outro. Nossas dores, desejos, medos e angústias são os sentimentos que primeiro afloram quando há alguém cuja batida na porta do coração é diferente dos anteriores. O que talvez faça a diferença seja a maquiagem vou usar ao abrir a porta? Compensa o preço?
Gregos e Troianos
(Marta Coco)O preço é sempre maior
quando o amor se oferece
pleno
e depois
não procura os vestígios
do que foi investido
num plano infindo de
sonhos
e comodidade.
Por isso
há quem arrisque o destino
da dívida
e há quem não suporte
a conta da saudade.
[fila]
Depois de um festival etílico, regado a brigas, fotos engraçadas e a sensação de dever cumprido na festa de formatura de meus ex-alunos de comunicação, uma frase, criada pela Neliane Leone, fechou meu ciclo junto à faculdade onde lecionava. Na entrada do Shopping de Sorocaba, enquanto três guichês de estacionamento estavam vazios, os dois primeiros possuíam uma fila gigantesca. Muito espirituosa a professora comenta que “em terra de tropeiro, as pessoas se acostumaram a andar só em fila”. Adorei!!!
Pelo segundo dia consecutivo, corro na Lagoa do Taquaral. Hoje, em meio a garoa constante ao estilo ‘molha tolos’, e passadas ainda ofegantes (afinal sou ex-fumante) conheci uma figura pra lá de ‘interativa’. Ficamos de conversa por duas voltas, uma correndo, outra caminhando. Alma boa em plena segunda de carnaval. Acho que ambos estavam solitários e querendo apenas uma companhia pra conversar assuntos fúteis.
[volta]
Então… Longo tempo depois, retomar Sobreventos não tem sido uma tarefa fácil. Há algumas semanas procuro uma forma de trazer pra cá algo que possa me completar; afinal é esta a função deste blog. Mas não há forma de se resgatar algo que se deseja esconder.
Queria esconder Sobreventos pois ele é a metáfora de mim. Este blog é feito de assombrações, lembranças, mágoas e felicidades que resolvi tornar público como forma de, ao me expor, conseguir pensar melhor sobre os mizeráveis e especiais acontecimentos cotidianos da minha vida. No entanto, como tudo o que ao longo do tempo vai tomando força própria, não conseguia mais lidar com ele de forma tranquila como vinha sendo minha experiência desde sua criação em setembro de 2006.
De lá até o início de 2008, várias experiências cotidianas apareceram neste espaço. Foi deste período em diante que Sobreventos foi caindo em desuso. Os motivos? Gostaria muito de saber. Mas algumas coisas eu consigo pontuar. A euforia do retorno pra Campinas é uma delas. O pseudo ‘cárcere’ jundiaiense havia acabado e os entraves físicos então existentes (ou que a mim se apresentavam, mesmo que erroneamente ou fantasiados por mim) não mais eram o fomendo dos textos deste blog.
Assim, sem paixões impediditvas, fui procurando me omitir diante de Sobreventos. Idiota! Ele está dentro de mim, assim como todas as minhas obrigações, responsabilidades, ações equivocadas e reticentes.
Não. Ele não morre. Mas vou procurar utiliza-lo para arrancar de mim o que me atormenta e me faz dele afastar.
[retomar e descobrir]
Comprei um novo celular. O motivo? Queria um aparelho mais moderno, que conte meus passos enquanto caminho, com o qual eu possa acessar a internet, ouvir rádio, músicas e tirar fotos; tudo ao mesmo tempo e agora.
Foi de posse dele, fazendo limpeza na minha mesa de trabalho, brincando com o Cerejo e ouvindo rádio, que descobri ser da Geração Y; uma nova forma de ‘caracterizar’ as pessoas hoje possuem entre 20 e 30 anos que já nasceram conectadas às novas tecnologias, pensam de maneira global e são extremamente ansiosos.
Seja como for, trata-se de uma geração que está entrando em conflito com os sistemas organizacionais tradicionais que possuem dificuldades de lidar com pessoas que beiram a insubordinação, procuram sempre formas alternativas de lidar com o trabalho quotidiano e estão sempre em busca rápida da autosatisfação e reconhecimento financeiro e profissional.
Busquei informações e um dos melhores textos foi este:
Geração Y vai dominar força de trabalho
[direto do baú]
Roubado de um motociclista que transitada displicentemente pela cidade com sua moto baú. Mais direto impossível!
Filho de rico com moto é BOY.
Filho de pobre é MOTOBOY
[foco editorial]
Recebi por e-mail, de Santiago, e achei muito interessante. É isso que eu chamo de ‘foco editorial’. Perfeito!!!
——————————————————————
CHAPEUZINHO VERMELHO E AS DIFERENTES MANEIRAS DE CONTAR A MESMA HISTÓRIA…
JORNAL NACIONAL
(William Bonner): ‘Boa noite! Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem…’.
(Fátima Bernardes): ‘… mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia’.
PROGRAMA DA HEBE
(Hebe): ‘… Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar,mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, nãofoi mesmo?’
CIDADE ALERTA
(Datena): ‘… Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!’
REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.
REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.
FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.
O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.
ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.
AQUI E AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó.
REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte).
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida.
Hoje sou outra pessoa.’
PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte).
Veja o que só o lobo viu!
REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador). Lenhador mostra o machado.
SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?
DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.

